Médicos têm reconhecimento mundial
Rio de Janeiro - A recuperação do atacante Ronaldo em 2002 e sua atuação brilhante na Copa da Coréia e Japão deram aos médicos brasileiros o reconhecimento profissional mundial perante a comunidade esportiva. O trabalho é atestado pelos próprios atletas que já confessaram voltar melhor fisicamente e clinicamente para seus clubes sempre que vão para a seleção.
''Penso que os clubes europeus não cuidam bem de seus jogadores. Contusões que aqui ficam curadas em três semanas, lá demoram três meses'', disse o fisioterapeuta da seleção, Luiz Alberto Rosan, que está na equipe chefiada pelo médico José Luiz Runco desde 1998. ''Sempre, pelos menos cinco jogadores, chegam baleados, com reclamações de dores musculares no corpo. São lesões leves, mas que implicam em dor.''
Como prova da excelência dos profissionais brasileiros, Rosan lembrou que o meia Edu, do Valencia, e o atacante Ricardo Oliveira, do Bétis, recuperam-se de cirurgias no Brasil, sob seus cuidados. Os médicos do País também têm sido procurados por atletas estrangeiros. O fisioterapeuta ainda recordou um dos episódios mais marcantes em sua trajetória na seleção: a recuperação de Ronaldo.
''O Ronaldo era uma incógnita para todos. Não tinha jogado as partidas pelas Eliminatórias e não tínhamos certeza do que aconteceria'', revelou Rosan. ''Mas, confiantes, quando o Scolari (Luiz Felipe, técnico da seleção em 2002) nos consultou, o departamento médico deu o aval para convocá-lo.''
E para evitar que o trabalho realizado na fisioterapia e na preparação física seja prejudicado pela má alimentação, o médico Serafim Borges explicou que a nutricionista Silvia Ferreira é a responsável por elaborar um cardápio individual para os atletas. A preocupação é em balancear os alimentos ingeridos de acordo com a necessidade dos jogadores.
''Toda vez que há convocação, a nutricionista elabora um cardápio especial para cada jogador. Esse é um trabalho feito em silêncio. Somos cariocas, mas agimos como mineiros'', contou Serafim. ''Esse cuidado é feito de acordo com a porcentagem de gordura e muscular de cada atleta, se ele está desidratado...''
Mas o reconhecimento dos médicos brasileiros ainda não serviu para acabar com todas as desconfianças de alguns países europeus. Serafim afirmou que, enquanto os espanhóis não criam obstáculos para os jogadores virem se tratar no Brasil, os italianos gostam de ''complicar''. ''Na Itália eles são mais desconfiados'', divertiu-se. (M.C./A.E.)





