São Paulo, 29 (AE) - Em 1993, aos 47 anos, o médico Jorge Ferreira da Rocha resolveu realizar um sonho de infância e aprender a montar, mas recebeu um conselho desanimador do cavaleiro José Luiz Guimarães. "Ele disse que o hipismo era um esporte para ser praticado desde criança, eu não tinha mais idade e seria melhor desistir", conta. Há pouco menos de um mês
Jorge reencontrou o ginete e agradeceu o conselho. O desafio de provar o erro de Guimarães resultou na quebra de um tabu de 27 anos e, com a ajuda do cavalo Quixote Lanciano, a conquista de uma vaga para o Brasil na prova de adestramento dos Jogos Olímpicos de Sydney.
Jorge conta que sempre gostou de cavalos, mas nem em seus tempos de meia das equipes de base do Fluminense imaginou ir a uma olimpíada. "Abandonei o futebol porque era filho único e meus pais queriam que eu estudasse."
Como empresário do setor de saúde, só voltou a pensar em ser atleta em 1993. Em 1995, interessou-se pelo adestramento - prova que considera a "ginástica artística" do hipismo e em que o cavalo tem de fazer uma série de movimentos em tempo cronometrado.
Em 1998, Jorge sagrou-se campeão brasileiro, sul-americano e conquistou vaga para o Pan-Americano de Winnipeg. Um acidente, meses antes da competição, o impediu de ir ao Canadá. "Uma caixa de som estourou em uma competição e o cavalo disparou; fui parar nas arquibancadas."
O acidente resultou em três costelas quebradas, o rompimento da artéria lombar e uma parada cardíaca. "Voltei a montar uma semana antes do Pan, mas achei que não tinha chances de competir e preferi pensar na seletiva da Olimpíada."
Jorge disputou a única vaga com competidores da Argentina, Uruguai, áfrica do Sul e Chile. Com a passagem para Sydney garantida, vai disputar torneios no exterior no ano que vem e fazer clínicas com o técnico da seleção alemã, Klaus Balkenhol, como preparação.

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