Ederlon Ferreira Nogueira vive intensamente o esporte. Já foi atleta de futebol, voleibol, jiu-jítsu, corrida e montain bike. Mas se apaixonou mesmo pelo triatlo. Ainda que experiente quando o assunto é exercitar o corpo, ele tenta controlar a ansiedade à espera de seu maior desafio. Prestes a completar seu primeiro ano na modalidade, o médico cardiologista será um dos representantes brasileiros no Iron Man 70.3, em Miami (EUA).
A prova, que será disputada neste domingo, na Flórida, será a primeira oficial do triatleta, que resolveu conhecer a modalidade somente em novembro do ano passado. De lá para cá, o interesse só aumentou. Decidido a encarar os desafios de um esporte de alto rendimento, contratou a orientação de dois técnicos especialistas – Diego Duarte (corrida) e Patrícia Buosi (natação). Os primeiros testes foram em circuitos de simulados e provas de duatlo - que contemplam apenas corrida e ciclismo.
Mas agora é para valer. O triatleta vai debutar em um meio Iron, que tem a metade (2 quilômetros de natação, 90 quilômetros de ciclismo e 21 quilômetros de corrida) das distâncias de uma prova completa do triatlo. "Dentro do esporte é meu maior desafio. Sei que pulei algumas etapas e meus técnicos me apoiaram nisso, mas estou confiando muito na minha preparação", diz o esportista de 38 anos.
A preparação foi intensa. Conciliar a rotina estressante de um médico com os treinos duros de um triatleta, que para muitos seria uma tortura, para Ederlon foi diferente. O grande prazer de sua vida é encontrar um tempo para se dedicar à sua nova paixão. "A prioridade é a profissão e a atividade física é o complemento. O tempo a gente sempre cria, basta ter vontade", ensina o triatleta, que faz o possível para intercalar o expediente e os plantões com a média de três horas de treinos diários. "O esporte funciona como uma via de escape, me divirto fazendo esporte, não sofro".
Sofrer só para aprender a nadar. Como a natação nunca foi seu forte, ele teve que contratar até uma profissional para lhe ajudar no domínio da técnica. "Para mim foi uma dificuldade muito grande, pois eu não nadava. Tive que aprender a técnica para parar de me arrastar", conta o médico, que mora em Londrina há três anos.
Todo esse esforço tem um objetivo em mente. Junto com a esposa, que também é triatleta, o cardiologista quer disputar a etapa brasileira do Iron Man, marcada para maio do ano que vem, em Florianópolis.
Para o primeiro grande teste, nos EUA, o resultado ficará em segundo plano. "Eu sou um amador, não tenho objetivo de buscar premiação, vou lá para me divertir", disse o esportista, que vai competir na categoria 35 a 39 anos. "Quero terminar sem lesão, sem 'quebrar', porque depois é mais fácil olhar para a prova com olhos críticos, e estou indo para lá com esse objetivo", definiu.

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