Médico recarrega energias pedalando
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Thiago Mossini<br>Reportagem Local 
A rotina dos médicos é estressante. Clínica, hospital, consultas, cirurgias. Horas e horas diárias convivendo com situações extremas de alegria ou tristeza, de agradecimento e de cobrança. E para equilibrar a vida, muitos médicos recorrem ao esporte como forma de extravasar e recarregar as energias. Foi o que fez o anestesiologista Sérgio Storti, de 64 anos, duas décadas atrás. Ele começou a desfrutar as manhãs de domingo em cima de uma bicicleta e não parou mais.
Storti via a necessidade de se exercitar e foi no ciclismo que ele se encontrou. "Tentei jogar tênis, mas é um esporte que você precisa de uma companhia. Outro problema é que quando a agenda profissional permite, muitas vezes as quadras não estavam livres. O ciclismo é uma coisa de criança, que você pode fazer sozinho", explicou.
Storti é um apaixonado pela bike. Raramente passa um domingo sem pedalar seus 50 quilômetros em média. "O que mais me apaixona na pedalada é conviver com o silêncio", revelou o anestesiologista, apontando para as árvores que desenham uma das estradinhas do Distrito do Espírito Santo, um dos locais preferidos dele para esquecer por algumas horas da vida turbulenta.
Lá, respira ar puro, observa as belezas naturais, os animais e, principalmente, recarrega as energias para mais uma semana de muito trabalho. "Melhorou muito meu emocional. Eu fico mais relaxado. Quando chego em casa depois da pedalada, é uma coisa sensacional. O prazer, a liberação de endorfina. Você começa a semana com outra disposição", enumerou.
A prática do ciclismo vem garantindo ao médico um envelhecimento saudável. "Tive bronquite quando jovem, mas hoje, meu pulmão é invejável. A capacidade pulmonar que tenho, não é qualquer pessoa com 64 anos que tem", enche-se de orgulho para dizer.
Essa vitalidade toda foi colocada à prova em 2007. Na época, no alto de seus 59 anos, Storti resolveu se aventurar e cumprir um desafio até então inimaginável para ele: cruzou 330 quilômetros na Cordilheira das Andes entre a Argentina e o Chile em cima de uma bicicleta.
"Um amigo também médico achou um cara em São Paulo que oferecia o pacote para essa travessia e me mostrou. Eu respondi: não sei você, mas eu estou indo. Fechei o pacote, ele também e fomos para a aventura", relembrou.
E que aventura! Storti, o amigo, outros dois brasileiros, 17 argentinos, um polonês e um espanhol partiram de Malargue, na Argentina, com destino a Curicó, no Chile. Foram seis dias de desafios em meio a estradas sinuosas, com os mais diferentes pisos e obstáculos e também as mais belas vistas. A média era de 55 quilômetros diários de pedal com um fator complicador: o trajeto era feito em uma altitude de 2,7 mil metros, o que influencia muito o desempenho do ciclista.
Ele contou que fez uma preparação específica de quatro meses para a viagem, com a implementação de muitas subidas no trajeto, simulando o que encontraria. "Nas montanhas, você olhava e pensava que não iria conseguir, mas o desafio faz você superar essas dificuldades", receitou Storti, que fez os 330 quilômetros sem precisar da ajuda do grupo de apoio nenhuma vez.
Se durante o dia a concentração em romper a barreira da distância, à noite era hora de confraternização. "A gente fez muita amizade e na despedida houve muito choro", disse.
O próximo desafio já está lançado. Será nas estradas da Serra do Rio do Rastro, em Santa Catarina, no ano que vem.


