Médico da seleção veta Dunga
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quinta-feira, 11 de dezembro de 1997
Das agências Riad 
A Seleção Brasileira perdeu o seu capitão para a estréia na Copa dos Campeões Continentais, amanhã, às 11h15, contra a seleção da Arábia Saudita, em Riad. O volante Dunga não participou do segundo treinamento da equipe, ontem, e teve a participação vetada no jogo pelo médico Lídio Toledo. O técnico Zagallo decide hoje o substituto entre César Sampaio e Doriva. O Dunga apresentou uma melhora, mas seria prematuro lançá-lo no jogo contra a Arábia, informou o médico, que ganhou outro paciente, depois - o meia Leonardo. Ele sentiu dores na coxa direita.
A perda de Leonardo fez com que Zagallo interrompesse o treino na fria tarde de Riad. Preferiu substituí-lo por outro, com chutes a gol da entrada da área, formando duplas que vinham tabelando desde a intermediária. O técnico começou a ficar mais preocupado para a estréia no torneio que ele classificou como a nossa competição mais importante deste ano. No planejamento de Zagallo, seria na Arábia Saudita que ele colocaria o time que considera o ideal para a disputa da própria Copa do Mundo.
Para complicar ainda mais, segundo o treinador, até a estréia a cada dia vão diminuindo as possibilidades de a equipe fazer pelo menos um treino coletivo. Até a tarde de ontem, faltavam ainda cinco jogadores para completar o elenco de 22 inscritos para a chamada Copa do Rei. Dois eram aguardados ontem à noite - Ronaldinho e Juninho. Hoje, a equipe poderá estar completa se a CBF obtiver êxito em antecipar a chegada de Rivaldo, do Barcelona. Hoje são esperados os laterais Roberto Carlos, do Real Madri, e Zé Maria, do Parma.
Carecas Uma brincadeira sem graça, conforme definição do meia Leonardo, ou uma grande babaquice, opinião do goleiro Rogério, o arrastão que um grupo de jogadores da seleção promoveu, cortando o cabelo de seus companheiros, abalou o ambiente da equipe. Na madrugada de ontem, alguns atletas, supostamente liderados por Flávio Conceição, Júnior Baiano e Zé Roberto, entraram nos quartos dos colegas para deixá-los carecas. Nenhum jogador escapou da brincadeira. Antes de seguirem para o café-da-manhã, não foram poucos os que demonstraram descontentamento com o arrastão. Não gostei mesmo, mas prefiro nem comentar o assunto, porque estamos há seis meses da Copa e não quero tumultuar o ambiente, disse Leonardo.
À tarde, depois de uma reunião com a comissão técnica, os jogadores moderaram o discurso. Aqueles que, pela manhã, haviam reclamado, tentaram esconder o aborrecimento e evitar que a crise se alastrasse. À noite, quando chegariam Ronaldinho e Juninho, pelo menos o segundo, para manter a homogeneidade do grupo, deveria perder o cabelo.
Zagallo mostrou-se irritado com a situação e o clima criado pelo arrastão, mas não se intrometeu no assunto. É um problema dos jogadores, não vou entrar no mérito da questão.


