O Brasil conquistou ontem mais duas medalhas na Paraolimpíada de Sydney. A equipe do revezamento 4 x 50 metros livre da natação fez o segundo melhor tempo nas finais e levou a prata. Anderson Santos ganhou bronze em uma prova disputadíssima no lançamento de disco. Com as conquistas de ontem, o número de medalhas do Brasil subiu para nove – três de ouro, quatro de prata e duas de bronze. O País ocupa a 27ª colocação no quadro de medalhas.
A medalha de bronze conseguida pelo carioca Anderson Santos foi muito comemorada. A prova foi uma das mais difíceis e o ouro ficou para Robert Thyra (Polônia) com 44,63m, prata para Tarek Hussein (Egito) com 44,01m e bronze para Anderson com 42,97m. Todos os três resultados foram novos recordes mundiais o que dá bem a dimensão da alta qualidade técnica registrada na prova.
‘‘Estou muito feliz com a medalha, mas quero deixar claro que a conquista não é minha, nem do Comitê Paraolímpico e sim dos 10% dos brasileiros que são portadores de alguma deficiência’’, afirmou o atleta, que fez questão de homenagear seu pai, Carli Santos, que sofreu dois derrames há pouco tempo. ‘‘Esta medalha vai para ele, que me ensinou muito e sempre me incentivou.’’
Segundo Anderson, o que lhe trouxe até Sydney não foi o dinheiro dos patrocínios e sim a garra e a vontade de representar um país que não cuida de seus deficientes. ‘‘Espero que estes resultados possam se traduzir em políticas públicas sérias que ajudem o deficiente a ter o mínimo de direitos que a Constituição determina’’, disse o atleta. ‘‘Não é mais admissível que pelo menos 10% da população brasileira portadora de alguma deficiência fique enclausurada em suas casas sem o direito de ir e vir por causa de barreiras arquitetônicas existentes em todas as cidades.’’
Prata na natação – O revezamento 4 x 50 metros livre do Brasil conquistou a medalha de prata ontem no Sydney International Aquatic Center. O primeiro nadador a cair na piscina foi Joon Sok Seo, que ficou entre os últimos colocados. Seo foi seguido por Clodoaldo Silva, que estava na quarta colocação, quase caindo para quinto. Foi quando tudo começou a mudar favoravelmente para o quarteto brasileiro. O menino prodígio da natação, Luis Silva, entrou na água e teve grande performance, ganhando duas posições e ainda deixando boa vantagem para Adriano Gomes Galvão, que fechou o revezamento em segundo.
‘‘Foi uma estratégia suicida’’, disse o técnico da equipe, José Rozélio Vilar. ‘‘Coloquei dois atletas mais lentos nadando os 100 primeiros metros e os atletas mais rápidos para completar a prova; acabou dando certo’’, explicou, dizendo que a estratégia era a de não chamar a atenção de sua equipe no começo da prova.
Luís Lima disse que percebeu que o Brasil conseguiria a medalha nos seus últimos 50 metros. ‘‘Quando percebi que tinha deixado dois competidores para trás, achei que ganharíamos a medalha’’, disse. ‘‘Mais uma vez provamos que somos melhores do que eles pensavam’’, acrescentou, referindo-se à punição que recebeu, tendo que subir um grau de dificuldade em sua categoria.
Foi a primeira medalha em equipe do Brasil nas Paraolimpíadas 2000. A prata no revezamento 4x50m livre foi resultado do esforço coletivo de Joon Sok Soe (S6), Clodoaldo da Silva (S4), Adriano Gomes da Lima (S2) e Luís Silva (S6). Eles fecharam os 200m da prova em segundo lugar com o tempo de 2m39s82, atrás da Espanha, nova recordista mundial (2m24s42).