A primeira medalha de ouro do Brasil nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro desfilou ontem por ruas e avenidas de Londrina no peito de Diogo Silva, que havia chegado na noite anterior à cidade que adotou para seguir sua carreira no taekwondo. Paulista de São Sebastião, Diogo desfilou em um caminhão do Corpo de Bombeiros ao lado da vice-campeã pan-americana Natália Falavigna.
A vida de Diogo sofreu uma grande mudança nos últimos 14 dias. Mesmo sendo um destaque em seu esporte - foi 4º colocado na Olimpíada de Atenas -, invariavelmente, ele podia andar tranquilamente pelas ruas sem ser incomodado. ''O carinho das pessoas é muito grande. Elas chegam, cumprimentam e parabenizam pela medalha. Acredito que meu carisma e humildade também contribuem'', frisou o atleta, que emocionou todo o País ao chorar no momento que ouvia o Hino Nacional durante a premiação. ''O Pan foi a competição mais importante da minha vida.''
Mas não são apenas cumprimentos que Diogo espera receber depois da medalha de ouro. ''Estou tendo uma visibilidade maior, posso expressar o que meu esporte precisa, que é estrutura e, principalmente, investimento. O taekwondo brasileiro tem bons atletas, mas alguns estão mudando para outros países em busca de melhores condições de trabalho'', alertou.
Diogo não descarta se somar a esses atletas que deixam o País, como o londrinense Rodrigo Ferla, que defende a seleção portuguesa. ''Vou ficar aqui até a Olimpíada de Pequim. Mas se nada mudar, também penso em ir embora. Já recebi convites para sair'', adiantou o campeão.
No que depender das promessas, a ameaça de Diogo não deve se concretizar. Ele recebeu algumas propostas de patrocínio e está analisando juntamente com a empresa que começa a gerenciar sua carreira e a de Natália. ''Em 20 dias, deveremos ter uma posição.''
Pré-Olímpico - Diogo não terá muito tempo para saborear a medalha de ouro conquistada no Pan. Nos próximos dias, ele retoma os treinamentos visando o Pré-Olímpico Mundial de Taekwondo, que será realizado no final de setembro, em Londres, na Inglaterra.
Para essa competição, o Brasil poderá inscrever somente quatro atletas. Entre os homens estão confirmados Diogo e Márcio Wenceslau, outro vice-campeão pan-americano. Natália é a única mulher confirmada. A outra vaga brasileira está entre Érica Ferreira e Débora Nunes. Cada categoria destinará quatro vagas para a Olimpíada de Pequim. ''O Pré-Olímpico é mais difícil que a própria Olimpíada. Teremos atletas da Ásia, Europa, América, todos candidatos a uma vaga. O Brasil nunca conseguiu classificar um atleta nessa competição. As vagas sempre vieram no Pré-Olímpico das Américas (acontecerá em dezembro)'', explicou Diogo.
Natália já está em treinamento visando o Pré-Olímpico. ''Estou em um processo de evolução em minha carreira. Alguns erros acontecem pela falta de competições preparativas no Brasil. Mesmo assim, consigo melhorar a cada campeonato'', concluiu.

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