Medalhista aposta em nova surpresa brasileira
Curitiba - Medalha de bronze na maratona dos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, o paranaense Vanderlei Cordeiro de Lima ficou a apenas 23 segundos de conseguir a vaga para Pequim. Apesar de não esconder um certo ressentimento por ter chegado tão próximo de sua quarta Olimpíada, Vanderlei aposta que os três brasileiros que disputarão a prova masculina, amanhã, têm condições de repetir seu feito.
Em entrevista exclusiva à FOLHA, Vanderlei fala dos motivos que o deixaram de fora dos jogos da China e analisa as dificuldades que serão encontradas pelos atletas em Pequim. Confira os principais trechos da entrevista.
Folha - Como você reagiu ao fato de ter ficado muito perto de conseguir a vaga para Pequim?
Vanderlei - Na realidade, a marca que eu tinha alcançado no ano passado não era a que eu tinha planejado para buscar a vaga. Tinha o objetivo de tentar a marca em outra maratona, mas infelizmente veio a contusão e acabei perdendo essa chance. Tive falta de sorte, machuquei na hora errada.
Folha - Quais são as chances dos brasileiros que correrão a maratona em Pequim?
Vanderlei - Dos três, quem tem um deferencial é o Marilson, até porque no ano passado alcançou excelentes resultados. Neste ano, ele voltou a fazer resultados bons não apenas a nível de América do Sul, mas a nível mundial. É um atleta que vai ser respeitado principalmente por causa da vitória dele na maratona de Nova Iorque, em 2006. Ele correu boas marcas, na casa de 2 horas e 8 (minutos), e está credenciado em um patamar diferente do José Teles e do Franck (Caldeira). Além disso, esses são atletas que estão indo pela primeira vez a uma Olimpíada e estão vivendo o clima de uma Vila Olímpica, que é um clima que se você não souber se comportar dentro daquele mundo, acaba se dispersando do seu foco. Mas são atletas que têm grande potencial.
Folha - Essas dificuldades se devem principalmente à poluição em Pequim?
Vanderlei - É uma coisa que tem sido muito comentada, mas não tenho conhecimento vivendo essa situação. Pode ser que acabe influenciando muito porque a maratona é uma prova de longa duração. Mas o Marilson e o José Teles são atletas que moram na região de São Paulo e já convivem com um ambiente de poluição. De certa forma, esse fator que vai ser difícil para atletas de determinados países, pode acabar favorecendo o desempenho dos brasileiros.
Folha - O Marilson comentou que a prova será a ''maratona do vencedor sortudo'' e terá um resultado imprevisível. Você concorda?
Vanderlei - De certa forma sim. Até porque em Olimpíada ninguém corre para fazer marca. Esses atletas que estão em primeiro do ranking, fazendo marcas de 2 horas e 4 minutos, muitas vezes não conseguem correr em condições adversas ou em maratonas lentas. Então acho que o atleta vai ter que estar no dia e o fator sorte com certeza vai contribuir muito para um grande resultado. Mas não adianta querer contar com a sorte se não estiver fisicamente bem. (R.L./Equipe da Folha)





