Agência Estado
De São Paulo
A delegação brasileira de atletismo embarcou ontem à tarde para a Espanha, onde vai disputar, a partir de sexta-feira, o Mundial de Sevilha. Apesar da empolgação com a conquista de 16 medalhas nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg - 7 de ouro -, os atletas não prometem milagres no Mundial, que reunirá competidores do mundo inteiro.
‘‘O que vier é lucro’’, definiu Eronildes Nunes de Araújo, tricampeão pan-americano nos 400 metros com barreiras. ‘‘Vou para Sevilha para brigar com os caras sem medo, mas não posso garantir que trarei alguma medalha.’’ O País será representado no Mundial por 19 atletas, dos quais 15 viajaram ontem. Claudinei Quirino da Silva e Elisângela Maria Adriano já estão na Europa. Sanderlei Parrela e Anderson Oliveira dos Santos, que moram nos Estados Unidos, vão encontrar os companheiros na Espanha.
‘‘Não temos estrelas, atletas de renome internacional’’, definiu o chefe da delegação, José dos Santos Figueiredo. ‘‘Temos, sim, uma equipe redonda, pronta para atingir bons resultados.’’ Segundo Figueiredo, a boa campanha brasileira em Winnipeg é uma força a mais para os jovens atletas. Na Olimpíada de Atlanta, em 1996, o Brasil conquistou apenas uma medalha, a de bronze, no revezamento 4 x 100 metros. Depois de Winnipeg, porém, as esperanças estão renovadas.
‘‘A gente pode brilhar novamente, desde que tenha consciência de nossas forças’’, disse Maurren Higa Maggi, medalha de ouro no salto em distância, com a marca de 6,59 metros.
Maurren é a líder do ranking mundial, com 7,26 metros, índice obtido em Bogotá, na Colômbia, em junho. ‘‘Mas não prometo medalhas; quero ficar entre as melhores.’’ Aos 23 anos, a atleta deixou a cidade de São Carlos (SP), para virar celebridade nacional.
Desde que voltou do Pan, tornou-se uma das esportistas mais assediadas pelos torcedores e pela imprensa. Maurren, no entanto, garante que conseguiu controlar a ansiedade e preparar-se para o Mundial. ‘‘É claro que estou no auge da minha carreira’’, disse. ‘‘Já havia traçado meus planos para o Mundial no início do ano e consegui treinar alguns dias após voltar do Pan.’’ De cabelos lisos, visual adotado antes das viagens, Maurren deixou o Brasil, mais uma vez, em companhia de Leão, seu inseparável cachorro de pelúcia.
Tanta empolgação, porém, não vai atrapalhar o desempenho da nova geração de atletas do País, de acordo com Figueiredo. ‘‘Apesar da pouca idade, é um grupo maduro, que saberá controlar o entusiasmo conquistado no Canadᒒ, justificou. ‘‘Todos têm noção de que o nível técnico de um Mundial é superior ao de um Pan, e sabemos que a competição será uma prévia da Olimpíada de Sidney, no próximo ano.’’

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