Medalha quer animação na Copa
Paulo Briguet
Enviado da Folha
Roberto Luiz Medalha, empresário de Foz do Iguaçu apaixonado por futebol, verá a Copa América de perto. Pretende até mesmo acompanhar a final em Assunção, se o Brasil chegar lá. Mas ele tem uma visão crítica sobre o assunto e sabe que faz parte de uma minoria. Na opinião de Medalha, o desemprego em Foz e a falta de organização afastam o povo dos estádios.
- Numa escala de zero a dez, eu daria nota seis para a mobilização de Foz do Iguaçu durante a Copa América. Não sei se a causa está na falta de recursos ou nos jogos marcados para o meio da semana. Talvez, a situação melhore nos próximos dias.
Quando o assunto é simplesmente futebol, Medalha se mostra mais animado. Paulistano do bairro da Lapa e palmeirense doente, Medalha acredita no bom desempenho da Seleção Brasileira durante a Copa América, sobretudo porque a Argentina, tradicional pedra no sapato brasileiro, não veio com 100% da força. Ele desconfia que a final poderá ser entre a equipe de Luxemburgo e os donos da casa.
Depois de sofrer - e vibrar - com a dramática final em que o Palmeiras conquistou a Taça Libertadores, o empresário diz que esta Copa América tem tudo para ser o grande momento do meia alviverde Alex. E não é porque ele joga no Palmeiras, não, garante. O garoto é bom mesmo. Suas maiores preocupações estão na zaga brasileira. Acho que o Odvan pode causar problemas. Medalha tem restrições à dupla Ronaldo e Ronaldinho. O primeiro, porque estaria fora de forma; o mais jovem, porque ainda seria verde para a Seleção. Uma coisa é jogar no Grêmio, outra é defender o Brasil.
Na atual delegação brasileira, Roberto Medalha tem pelo menos um amigo. Ele é compadre do atual consultor técnico Valdir de Morais, ex-goleiro e preparador de goleiros do Palmeiras. Sou sócio do clube até hoje, ia sempre ao Parque Antarctica e conheço o Valdir há décadas. A gente frequentava os mesmos lugares em São Paulo, conta. Com a vinda da Seleção a Foz, Medalha visitou o amigo no Hotel Bourbon, onde a equipe está concentrada. Valdir teria desmentido os boatos de que há um clima ruim entre os jogadores. O Valdir me garantiu que o grupo está coeso, afirma o empresário.
Sobre o técnico Wanderley Luxemburgo, Medalha relembra as campanhas vitoriosas no Palmeiras e no Corinthians, e o define:
- É um excelente profissional, que tem o seu ego como todo mundo, mas gosta de disciplina.
Medalha faz, no entanto, uma ressalva ao técnico do Brasil:
- Ele é competente, só que não trabalha com bagrinhos (jogadores inexperientes). Sempre foi campeão com times já formados por grandes jogadores.
Mesmo com a firme intenção de assistir à campanha da Seleção Brasileira, Medalha reclama da dificuldade em conseguir ingressos e da ação dos cambistas.
- Tem gente vendendo ingressos de arquibancada a R$ 85,00 no Paraguai. Isso é um absurdo. O povo não tem dinheiro. Há o risco de ter menos de 20 mil pessoas no estádio - em jogo do Brasil!
Há 23 anos em Foz, Medalha é diretor-procurador da Viação Itaipu, empresa de ônibus. Ele não esconde o seu descontentamento com os preparativos para a competição na cidade. O poder público deveria dar mais importância ao evento. Esperava-se mais gente para a Copa América. Falaram em 30 mil visitantes, mas virão no máximo 5 mil. No Paraguai, a população está bem mais empolgada. Isso é muito ruim, principalmente num momento em que toda a mídia do País está voltada para Foz.
Para Medalha, o investimento maior em turismo poderia resolver o problema da cidade.
- Quando cheguei a Foz, em 1976, tinha dificuldade para contratar motoristas e cobradores. Muita gente estava bem empregada em Itaipu. Hoje, nenhuma vaga fica sobrando. Nesse período, a cidade pulou de 35 mil para 250 mil habitantes, e acredito que temos pelo menos 35% da população sem emprego fixo.
Apesar das críticas, Roberto Medalha não desanima. Afinal de contas, sua paixão pelo futebol vem do berço. Depois de uma passagem pela equipe infantil do Palmeiras, Roberto Medalha atuou no Serra Negra Esporte Clube, na cidade paulista de mesmo nome. Em 1959, quando servia o Exército em São Paulo, quase teve uma chance de ouro: jogar contra Pelé. O craque, já campeão mundial, fazia serviço militar e representava a equipe do Batalhão de Santos nas Olimpíadas do Exército. Não tive esse privilégio, porque meu time foi desclassificado antes, relembra Medalha. A equipe de Pelé, logicamente, foi campeã. Ele jogava por dez.





