São Paulo - Ganhar uma medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos é honra para qualquer atleta, mas, para um seleto grupo, a conquista terá importância ainda maior. Em algumas modalidades, o resultado no Pan de Guadalajara, em outubro, vai definir quem poderá realizar seu sonho olímpico nos Jogos de Londres, em 2012, e quem vai ter de esperar por mais quatro anos para ter uma nova chance ou engavetar de vez o projeto.
São 12 as modalidades que aliam medalha no Pan com vaga na Olimpíada. Pelo ouro, são triatlo, handebol, saltos ornamentais, hóquei sobre a grama, nado sincronizado, polo aquático, tênis, tênis de mesa e canoagem (algumas provas). Ouro ou prata classificam no tiro esportivo (fossa e skeet). Hipismo e Pentatlo têm vagas para os melhores das Américas do Norte, Central e do Sul. No caso do judô, os resultados no México valem para o ranking olímpico. O evento também será oportunidade para competidores do atletismo e da natação obterem os índices exigidos pelas respectivas federações nacionais e internacionais para ir à Londres no ano que vem.
O desafio vai ser duro para o polo aquático brasileiro. ''A perspectiva realista é chegar em segundo, torcer para que o time americano fique entre os três melhores do Mundial (em Xangai, em julho), e a gente ficar com a vaga pan-americana'', diz o atleta Marcelo Franco.
Para tentar elevar o nível dos nossos atletas, a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) contratou técnico de um dos países top do polo, a Croácia. Goran Sablic assumiu o time no ano passado. Segundo os jogadores, ele tem contribuído para modernizar a parte tática e aumentar a resistência dos atletas na natação.
O treinador afirma que o material humano à disposição é bom. Tanto que, vários brasileiros defendem equipes europeias de ponta. A princípio, os atletas não tem nenhuma grande deficiência técnica ou física. ''O que eles precisam é jogar'', disse Sablic.
Segundo ele, a quantidade de partidas no Brasil é insuficiente e é preciso campeonatos de longa duração. ''Também é preciso uma mudança de mentalidade. Aqui a prioridade um é o trabalho, dois o estudo, três a família, quatro a namorada e aí vem o polo'', aponta Sablic. O técnico sabe que, no entanto, o fato é resultado de uma realidade nacional diferente da europeia, na qual os atletas não conseguem viver do esporte e que isso precisa ser mudado.

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