Medalha de ouro, a conquista que falta
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domingo, 04 de janeiro de 2004
Agência Estado 
São Paulo O Brasil é sinônimo de títulos, quando se trata de futebol, em quase todas as divisões. A bandeira do País pentacampeão do mundo na categoria profissional só não esteve no ponto principal do pódio justamente nos Jogos Olímpicos. Por mais que tenha tentado, a seleção precisou contentar-se até hoje com duas medalhas de prata (1984 e 1988) e uma de bronze (1996). No mais, acumulou frustrações, ressentimentos e desclassificações (como em 1980 e 1992, quando nem conseguiu vaga para Moscou e Barcelona, respectivamente).
A história brasileira no torneio de futebol de Olimpíadas é pobre. Na estréia, em 1952 (Helsinque), não passou de 5º lugar, embora no início tenha batido Holanda (5 a 1) e Luxemburgo (2 a 1). A derrota por 4 a 2 para a Alemanha Ocidental interrompeu a trajetória. O elenco era juvenil e contava com dois jogadores (Vavá e Zózimo), que seis anos mais tarde conquistaram e Taça Jules Rimet na Suécia.
O Brasil voltou aos Jogos em 1960, na Itália. O comando era do técnico Vicente Feola, que dois anos antes havia sido campeão do mundo. A equipe olímpica tinha muitos jogadores desconhecidos (vingaram só Roberto Dias e Gerson) e caiu diante da anfitriã 'Squadra Azzurra' (3 a 1).
Feola guiou a seleção também nos Jogos de Tóquio, em 64, e outra vez não obteve sucesso. Na estréia, empate por 1 a 1 com o Egito (gol de Roberto Miranda, campeão do mundo em 1970). Depois, goleada por 4 a 0 sobre a Coréia do Sul. Em seguida, novamente uma derrota (1 a 0 para a Checoslováquia) e a desclassificação.
A campanha no México, em 68, foi mais constrangedora e não passou de derrota para Espanha (0 a 1) e empates com Japão (1 a 1) e Nigéria (3 a 3). O time de 1972, em Munique, era mais bem preparado e contava com talentos como Falcão e Dirceu. Não fizeram a diferença e o Brasil voltou para casa, depois da primeira fase, sem vitória: 3 a 2 para a Dinamarca, 2 a 2 com a Hungria e 1 a 0 para o Irã.
A antiga CBD (Confederação Brasileira de Desportos) caprichou e o Brasil foi ao Canadá, em 76, com um time forte, do qual faziam parte o Carlos, Edinho, Batista, Júnior, Rosemiro, todos sob a batuta do técnico Cláudio Coutinho. A equipe superou bem a fase inicial, mas não resistiu à Polônia (que usava jogadores profissionais, como todos os países do Leste Europeu) e perdeu por 2 a 0.
O ouro esteve muito perto em 84 e 88. Nos Jogos de Los Angeles, o Brasil foi representado pelo Inter de Porto Alegre, reforçado por Ronaldo (Corinthians) e Gilmar (Flamengo) e Jair Picerni como técnico. A campanha foi eficiente, só com derrota na final (2 a 0 para a França). Em Seul, o treinador Carlos Alberto Silva contava com uma geração promissora, com Romário, Bebeto, André Cruz, Neto, Edmar. O time confirmou favoritismo até a decisão, quando foi superado pela antiga União Soviética por 2 a 1.
A CBF investiu US$ 4 milhões, para a seleção brilhar em 96 em Atlanta, e incumbiu Zagallo de orientar o time. Dida, Aldair, Roberto Carlos, Rivaldo, Flávio Conceição, Ronaldo foram chamados e o que parecia uma barbada se tornou vexame, primeiro com o susto na estréia (1 a 0 para o Japão) e depois com os 4 a 3 para a Nigéria (3 a 3 no tempo normal e eliminação na morte súbita) na semifinal. No jogo de consolação, 5 a 0 sobre Portugal e a medalha de bronze.
O Brasil voltou à carga em 2000, em Sydney, então sob as ordens de Vanderlei Luxemburgo, que não quis Romário e apostou na qualidade de Alex, Athirson, Ronaldinho Gaúcho. O time caiu nas quartas-de-final, com 2 a 1 na morte súbita contra Camarões.


