A partida de ontem entre as seleções da Ucrânia e Suíça trouxe sentimentos contraditórios para o mecânico Miguel Polkiskh, 79 anos. Nascido na Sibéria, na antiga União Soviética, ele veio em julho de 1935 para Londrina e é proprietário de uma das oficinas mais antigas da cidade, localizada na Vila Brasil (Área Central). Mesmo sem deixar de trabalhar, arrumou tempo para acompanhar o jogo do time ucraniano, que representa uma das ex-repúblicas soviéticas.
Apesar de praticar futebol na adolescência, Polkiskh diz que não é fanático pelo esporte, mas que torce pela seleção brasileira na Copa do Mundo. ''Afinal, já me naturalizei brasileiro há muitos anos. Não sou mais russo, sou brasileiro'', declara. E as recordações impedem que ele torça pela seleção de sua terra natal.
''Não dá para torcer pela Rússia. Mas eu ficaria feliz com um bom desempenho da Ucrânia, que é um país pequeno e que disputa só a primeira Copa'', afirma.
A mágoa de Polkiskh tem explicação. Aos 5 anos de idade, foi obrigado a fugir do país natal a pé para a Índia, por causa de perseguição política do regime comunista.
A jornada entre a Sibéria e a Índia durou 78 dias de caminhada, com a companhia de familiares. De lá, o destino foi o Norte do Paraná, onde escolheu para viver até hoje. E foi na tradicional oficina mecânica num dos bairros mais tradicionais de Londrinana que ele assitiu a vitória ucraniana, nos pênaltis, sobre os suíços.

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