Enquanto os dirigentes da McLaren defendiam, ontem, a transparência de ações na Fórmula 1, a equipe inaugurava em seus boxes, em Interlagos, um sofisticado circuito interno de TV. ‘‘É uma defesa contra espiões’’, afirmou o coordenador Jo Ramirez. Todos são culpados até prova em contrário. Essa é mais ou menos a filosofia dos que trabalham hoje no ex-time de Ayrton Senna. Na Austrália, um dos donos da McLaren, Ron Dennis, atacou a Ferrari por tentar, segundo ele, desvendar seus segredos.
Na segunda-feira, os três modelos McLaren MP4/13 desembarcados em São Paulo tinham pranchas de madeira sobre o cockpit para que ninguém visse o que existe dentro dele. Ontem, as câmeras de TV passaram a controlar tudo nos boxes. ‘‘Gravamos as atividades dentro do nosso espaço em tempo integral’’, diz Ramirez. Dois pilotos saíram em defesa da McLaren. Um deles é Jean Alesi, da Sauber. ‘‘Não dá para entender esse protesto geral’’, afirma. ‘‘Antes de construir o carro, a McLaren enviou à FIA uma planta do seu sistema de freios, que foi aprovado’’. Para ele, não faz sentido uma reclamação formal agora.
Outro que disse discordar dessa reação contra a McLaren é o campeão do mundo de 96, Damon Hill, da Jordan. Ele preferiu, no entanto, projetar a corrida de Interlagos a analisar o adversário. ‘‘Os novos pneus experimentados em Barcelona são cerca de um segundo mais rápidos’’. Na sua opinião, Williams, Ferrari e Jordan, times da Goodyear, sofrerão menos as consequências da inconstância verificada durante a corrida em Melbourne. Essa foi também a opinião de Claudio Berro, da Ferrari. ‘‘A F-1 não conhece ainda o nosso potencial’’, declarou, defendendo que a escuderia italiana está mais forte nesta temporada do que se pensa. ‘‘Michael Schumacher abandonou o GP da Austrália na quinta volta, com o motor quebrado, mas até aquela altura a vantagem da McLaren não era tão significativa.’’ Quando Schumacher encostou sua Ferrari, Mika Hakkinen estava 13 segundos na sua frente, obtidos em cinco voltas.
Para defender a tese de que o piloto alemão pode surpreender em São Paulo, Berro lembrou que o piloto alemão faria uma parada apenas nos boxes, enquanto Hakkinen e Coulthard, duas. ‘‘Estávamos bem mais pesados’’. Sobre quando será feito o protesto contra a McLaren, o assessor de imprensa italiano procurou esconder o jogo. ‘‘No final de semana’’, respondeu. Todas as 11 equipes já montavam ontem os seus carros para o 27º GP do Brasil. Os treinos começam sexta-feira.

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