São Paulo - A temporada 2007 da Fórmula 1 marcada por denúncias, espionagens e decisões fora das pistas será definida no tapetão. Uma hora após a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) divulgar que não puniria os carros da BMW Sauber e Williams, a entidade tratou de confirmar que recebeu um protesto da McLaren, que apelou da decisão.
Assim, o título do finlandês Kimi Raikkonen volta a ser ameaçado, já que, em caso de punição às duas equipes, o inglês Lewis Hamilton subiria para a quarta posição no GP Brasil e levaria o título da categoria, com 112 pontos.
A decisão, porém, só sairá em uma audiência na Corte de Apelação da FIA, que deve ser marcada para 10 de novembro. Até lá, o piloto da Ferrari pode comemorar o título inédito na categoria.
A confusão foi proporcionada pelo resultado da medição da temperatura do combustível dos carros das duas equipes - BMW Sauber e Williams. A checagem técnica verificou que as amostras retiradas dos carros inspecionados estavam de 12 a 14 graus Celsius abaixo dos 37 graus Celsius registrados em Interlagos durante a prova, sendo que o limite exigido pelo regulamento é que o combustível esteja, no máximo, 10 graus C abaixo da temperatura ambiente.
Como a Williams foi quarta colocada com Nico Rosberg, enquanto a Sauber terminou com seus dois carros na quinta e sexta posição, respectivamente, Robert Kubica e Nick Heidfeld, uma possível desclassificação dos três beneficiaria diretamente Hamilton.
Porém, após quase três horas de reunião, a FIA divulgou que ''havia dúvidas razoáveis quanto ao registro das duas temperaturas tanto a do combustível do carro quanto à verdadeira temperatura ambiente, o que tornou inapropriado impor qualquer tipo de penalização'', decisão esta que agora é contestada pela McLaren e levará a definição para os tribunais.
Terceiro lugar no Grande Prêmio do Brasil e no resultado final da temporada, Fernando Alonso, da McLaren, espera que a direção de prova de Interlagos não leve adiante a apelação de sua equipe. O espanhol acredita que, se isto acontecer, a reputação da Fórmula 1 seria arranhada. Por isso, o bicampeão mundial torce para que as coisas fiquem como estão. ''Seria uma brincadeira. Se algo como isso acontecer, acabaria com a imagem do esporte'', sentenciou o espanhol.
Ferrari
O presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, qualificou como ''estresse inútil'' o recurso da McLaren para tentar tirar o título do Mundial de F-1 de Kimi Raikkonen e passá-lo a Lewis Hamilton. Segundo ele, ''o regulamento prevê que mesmo que certos carros sejam desclassificados, isso não significa que se darão automaticamente os pontos a outros pilotos''.
Montezemolo também alfinetou a McLaren pelas brigas internas na escuderia. ''A diferença entre nós e a McLaren é que nós somos uma equipe em que os pilotos se ajudam mutuamente e onde a união faz a força nos momentos difíceis'', disparou.
O presidente ferrarista também fez um agradecimento a Felipe Massa. O brasileiro largou na pole e liderou até a 50volta, quando a equipe italiana colocou Raikkonen à frente após parada nos boxes. ''Felipe fez o jogo da equipe. Eu agradeço a ele.''

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