McLaren organiza reação silenciosa
Agência Folha
De São Paulo
Com a expectativa de reunir 64 mil espectadores no domingo, um recorde para a história recente de Interlagos, a 29ª edição do GP Brasil de F-1 começa hoje, com os primeiros treinos livres.
O problema da McLaren é a perda de pressão do sistema pneumático de válvulas do motor. Por causa deste defeito, que desafia os conceituados técnicos da escuderia inglesa e da Mercedes-Benz, fornecedora do motor, os carros de Mika Hakkinen e David Coulthard não completaram a última prova, disputada na Austrália. A decepcionante estréia da equipe bicampeã mundial de pilotos, com o finlandês Hakkinen promoveu uma mudança de comportamento da equipe. A equipe prepara uma reação silenciosa ao fiasco de Melbourne.
Me desculpe, mas eu tenho ordens para não falar nada. O coordenador da McLaren, Jo Ramirez, repetiu esta frase diversas vezes ontem a todos os jornalistas que tentavam obter alguma informação sobre a equipe, que promete disputar com a Ferrari o título deste ano. Enquanto as demais escuderias promoviam entrevistas coletivas dos seus pilotos, na McLaren todo o trabalho estava concentrado em acertar o carro para os treinos livres de hoje.
A assessoria de imprensa da McLaren informou que não há possibilidades de marcar entrevistas com os pilotos e, a princípio, não vai divulgar boletins informativos sobre as atividades da escuderia. A tentativa de bloqueio, em parte, foi quebrada graças à boa vontade dos pilotos Mika Hakkinen e David Coulthard, que não queriam passar a imagem de antipáticos aos brasileiros e concederam entrevistas curtas à imprensa.
Hakkinen e Coulthard não quiseram entrar nos detalhes técnicos mas revelaram uma grande confiança no novo acerto do carro. Já testamos o novo acerto no motor em Silverstone e com certeza não haverá problemas no Brasil, aposta Hakkinen, que venceu as duas últimas corridas disputadas em Interlagos. Estou muito confiante para esta prova e tenho certeza de que a McLaren fará uma grande temporada, comenta Coulthard.
Os dois pilotos aproveitaram a permissão da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e deram três voltas cada um pela pista em uma Mercedes fornecida pela organização do GP Brasil. Coulthard confessou que gosta muito de correr em São Paulo por causa do circuito de média velocidade e principalmente pelo entusiasmo do torcedor brasileiro. É muito estimulante correr no Brasil, disse o escocês.
Hakkinen evitou comentários sobre a reforma na pista. Deixou escapar, no entanto, que se o circuito estivesse nas mesmas condições do ano passado, seria melhor para ele. Para mim a pista estava perfeita, declarou o piloto, que considera Interlagos uma de suas pistas favoritas. Meu carro esteve sempre muito bem adaptado para correr em um asfalto cheio de ondulações.
Chuva Barrichelo afirmou ontem que deseja que chova no dia do GP Brasil. Apesar de não poder apostar na chuva, porque a pista está com algumas modificações, sem dúvida eu conseguiria levar o carro ao extremo caso chovesse. A Ferrari já está preparada para uma eventual chuva, disse ele.
Rubinho disse ainda que apesar de algumas pedras soltas na pista, ela está como ele nunca viu.
O piloto adiantou ainda que a prova do Brasil não é continuação do GP da Austrália e por isso os brasileiros terão que entender que estamos trabalhando para uma nova corrida. Esta não é a continuação do GP de Melbourne, em que é só passar o Schumacher e ganhar a corrida. Existem outras equipes em condições de vencer. É um outro circuito, com outras condições climáticas, e sei que teremos muito trabalho pela frente.





