São Paulo, 27 (AE) - O que está acontecendo com a McLaren? Era a pergunta mais frequente em Interlagos, depois do GP do Brasil. Como na Austrália, Mika Hakkinen abandonou. Para complicar, seu maior adversário na luta pelo título, Michael Schumacher, da Ferrari, venceu a corrida e David Coulthard, companheiro de Hakkinen, acabou desclassificado, depois de terminar em segundo. Desta vez Ron Dennis, diretor e sócio da equipe, não teve como dizer que a Ferrari prejudicou Rubens Barrichello para facilitar Schumacher.
Em Melbourne foram quatro motores quebrados. Dois nos treinos livres de sábado, nos carros de Hakkinen e Coulthard, e mais dois na prova, provocando a desistência de ambos quando lideravam. Domingo, mais uma vez o finlandês, bicampeão do mundo
viu suas chances de classificar-se em segundo desaparecerem na hora em que o motor Mercedes de seu carro perdeu pressão de óleo.
E a falta de eficiência este ano não é só da Ilmor, empresa com sede na Inglaterra que projeta, constrói e desenvolve os motores Mercedes, mas também da própria escuderia. Coulthard foi desclassificado domingo em razão de os minidefletores do aerofólio dianteiro estarem 7 milímetros mais baixo que o exigido. O modelo MP4/15 é veloz, conforme atestam as duas pole positions de Hakkinen nas duas etapas disputadas do Mundial, mas falta-lhe resistência.
Pode ser que para a próxima corrida, no Circuito Enzo e Dino Ferrari, em Ímola, dia 9, a Mercedes opte por uma solução mais conservadora, limitando os giros do novo motor num regime mais baixo, para tentar lhe dar maior confiabilidade. No momento em que a McLaren teria de ser mais agressiva, para tentar diminuir a diferença de 20 pontos que Schumacher já abriu para Hakkinen, os anglo-germânicos terão de pensar primeiro em concluir a prova
sob pena de verem o adversário distanciar-se ainda mais na classificação.
Restam ainda 15 etapas para o encerramento da temporada e tudo pode acontecer, até mesmo a McLaren reverter o quadro difícil em pouco tempo. Mas outra vitória de Schumacher no GP de San Marino começaria a comprometer a meta de Hakkinen de repetir a série de três títulos seguidos conquistados por Juan Manuel Fangio, em 1954, 1955 e 1956. O argentino venceria ainda em 1957.

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