Budapeste, 15 (AE) - Por essa Jean Todt e Ross Brawn, os diretores da Ferrari, certamente não esperavam: Mika Hakkinen, da McLaren, venceu hoje o GP da Hungria, em Budapeste, com uma vantagem de mais de 27 segundos sobre Eddie Irvine, terceiro colocado. E mais: o trapalhão David Coulthard, companheiro de Hakkinen, forçou tanto a ultrapassagem sobre o norte-irlandês da Ferrari que ele acabou errando na 64.a volta, de um total de 77, o que lhe deu o segundo lugar. Irvine ainda lidera o campeonato, com 56 pontos, mas Hakkinen se aproximou muito, 54.
Foi um massacre da McLaren. Quando depois de 17 voltas Hakkinen, em primeiro, já havia aberto 9,2 segundos para Irvine, segundo colocado, muita gente acreditou que o finlandês estava com o carro mais leve, por isso faria três pit stops contra dois de Irvine. Mas era só impressão. Como no treino que definiu o grid, sábado, Hakkinen foi apenas 107 milésimos mais rápido do que Irvine, o desempenho da McLaren durante as 77 voltas da corrida surpreendeu. "Meu carro estava tão perfeito que a dez voltas do fim eu pensei comigo mesmo que se tivesse de acontecer alguma coisa seria naquela hora", contou Hakkinen, feliz como poucas vezes.
"Cheguei a prender a respiração em alguns instantes como que me preparando para se algo de errado me ocorresse." Ron Dennis, sócio e diretor geral da McLaren, e Norbert Haug, da direção da Mercedes, trocaram banhos de champanhe como os pilotos no pódio. Parecia que a McLaren havia vencido o título da temporada. "O resultado fala por si só", comentou Dennis, numa clara referência à superioridade de sua organização. Já Haug afirmou: "A perspectiva de sermos campeões de novo permanece intacta." Hakkinen lembrou que antes da etapa de Budapeste ele descansou uma semana na Sardenha. "Acho que vou perdir ao Ron mais uma semana de férias", brincou.
Até Coulthard, que nas duas últimas provas comprometeu a McLaren com seus erros, se deu bem no final, apesar de na largada ficar para trás. "Fiquei surpreso ao ver que depois das curvas 1 e 2 havia perdido duas posições (ele largou em terceiro e caiu para quinto)", disse. "Achei que tinha dado uma boa largada, mas claramente não alcancei a velocidade de meus adversários tão rápido quanto eles." Parte de seus equívocos na áustria e na Alemanha foi redimida com a imponente aproximação a Eddie Irvine.
Na 58.a volta os dois protagonizaram um dos raros momentos de emoção maior no GP da Hungria. Irvine, em segundo, e Coulthard, em terceiro, entraram no box para seu segundo pit stop. Os boxes da McLaren e da Ferrari achavam-se lado a lado. Como num complexo movimento sincronizado de elevada precisão, as duas equipes precisaram do mesmo tempo para substituir os quatro pneus e colocar cerca de 60 litros de gasolina no tanque de seus carros. Irvine conseguiu sair alguns centímetros na frente de Coulthard. As sua alegria, porém, duraria pouco, já que seis voltas mais tarde, com o escocês bem próximo, Irvine errou na freada da curva 5, foi para a grama e perdeu o segundo lugar. "Minha estratégia deu certo", revelou Coulthard.
A vantagem de oito pontos que Irvine tinha sobre Hakkinen depois da Alemanha ficou reduzida, com o resultado de hoje, a apenas dois pontos. No campeonato dos construtores a Ferrari permanece em primeiro, mas com a McLaren também mais próxima: 94 a 90. Foi a 13.a vitória na carreira de Hakkinen, atual campeão do mundo, e a quarta na temporada. Irvine chegou pela sétima vez no pódio este ano, sendo quatro delas nas últimas quatro etapas.
O alemão Heinz-Harald Frentzen, da Jordan, terminou em quarto, Rubens Barrichello, Stewart, em quinto, e Damon Hill, Jordan, em sexto. Ricardo Zonta concluiu a prova com sua BAR em 13.o e Pedro Paulo Diniz, da Sauber, abandonou na 19.a volta. A maioria das equipes treina esta semana em Silverstone, na Inglaterra, visando prepara-se para a próxima prova da temporada, dia 29, no veloz circuito de Spa, na Bélgica.

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