São Paulo - A Fórmula 1 está bem próxima do ponto mais decisivo de sua temporada de 2007. E, infelizmente, ele acontecerá longe das pistas. Os olhos da categoria estarão voltados, hoje, para Paris, onde a FIA reúne o Conselho Mundial de Automobilismo para julgar a procedência das denúncias contra a McLaren. Em jogo, toda a campanha de Lewis Hamilton e de Fernando Alonso neste ano, manchado pelas denúncias de espionagem na escuderia prateada.
Tudo começou após o Grande Prêmio de Mônaco, quando a Federação iniciou investigações sobre o jogo de equipe entre Hamilton e Alonso em Monte Carlo. Mais tarde, os comissários da prova ainda descobriram um estranho pó nos tanques de combustível dos carros da Ferrari, que seria imediatamente investigada.
O buraco, porém, era mais embaixo. O principal suspeito de ter sabotado o combustível de Felipe Massa e Kimi Raikkonen era Nigel Stepney, funcionário da própria equipe italiana e que estava descontente por não ter assumido a vaga de Ross Brawn. Chefe dos mecânicos do time vermelho, Stepney passou a figurar como o principal alvo das investigações da FIA. Que descobriu ainda mais coisas.
No levantamento da entidade, descobriu-se que o funcionário ferrarista havia passado segredos da concepção do carro de Massa e Raikkonen para a McLaren. O responsável pela recepção dos dados no time de Ron Dennis era Mike Coughlan, então diretor-técnico da escuderia. Ambos foram imediatamente demitidos.
Logo outras equipes se envolveram em maior ou menor grau na polêmica. Foi o caso da Renault, uma das que encabeçou os protestos contra a impunidade da McLaren no caso, ou da Honda, que teria recebido - e recusado - ofertas de Stepney e Coughlan pelos dados para construir um supercarro. Com tanto clamor, a FIA julgou a culpa da McLaren no caso em julho, mas Ron Dennis e companhia acabaram inocentados.
Enquanto a equipe de Woking aumentava seu domínio na temporada e a rivalidade interna entre seus pilotos, Stepney continuava a polêmica. Haviam boatos de mais funcionários corrompidos nas duas rivais e de mais informações passadas de um lado para o outro, o que motivou os italianos a entrarem com um recurso referente ao primeiro julgamento.
O julgamento ficou parado na Justiça italiana durante agosto por conta do recesso de verão, mas voltou à tona em setembro. Tanto que a FIA marcou para hoje a data para a definição do veredicto no caso. Stepney pode ser condenado por sabotagem e por espionagem, mas quem pode se dar muito mal mesmo é a McLaren.
Se for provado que foi favorecida de forma premeditada, a McLaren pode sofrer punições que passam da perda dos pontos da temporada até a suspensão de sua estrutura física - carros e pilotos - da competição em 2008. É pouco provável que as penas mais duras sejam aplicadas, colocando Hamilton na Prodrive e Alonso na Renault, na BMW-Sauber ou na Toyota, como foi especulado.
Mesmo assim, é bem provável que ninguém escape de punição hoje, selando o destino de um ano que prometia muito. Uma pena para o campeonato mais equilibrado dos últimos anos.

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