Agência Estado
De São Paulo
O piloto Mika Hakkinen, da McLaren, mostrou a força do time inglês no GP do Brasil, como manda a tradição, ao estabelecer o melhor tempo do dia, nos treinos livres de ontem, com 1min15s896. Michael Schumacher, da Ferrari, registrou a segunda melhor marca, 479 milésimos de segundo mais lento, 1min16s375, enquanto Rubens Barrichello, companheiro do alemão, apesar de ter sido o mais veloz de manhã, acabou em quarto, 1min16s613. Todos os pilotos criticaram o novo asfalto de Interlagos.
Poucos pilotos não erraram ou não saíram da pista nas duas sessões de treinos de ontem, realizado sob calor de 30 graus. A ordem era conhecer o limite do carro para as novas condições da pista. A exemplo dos anos anteriores, Hakkinen dominou boa parte do segundo treino, à tarde, quando a pista estava mais emborrachada e rápida. ‘‘A cada mexida no chassi conseguíamos torná-lo mais e mais adaptado ao circuito’’, disse o bicampeão do mundo. Depois da etapa de abertura do Mundial, na Austrália, em que a McLaren teve sempre a presença da Ferrari muito próxima, em Interlagos a diferença de Schumacher para Hakkinen foi maior que a prevista.
O alemão comentou que não pôde aproveitar os momentos finais do treino em razão de os mecânicos estarem trabalhando nos freios da sua Ferrari. ‘‘Penso que poderemos lutar pela pole position.’’ Schumacher normalmente é comedido em São Paulo, como que reconhecendo a superioridade técnica da McLaren, por esse motivo sua declaração é surpreendente. Rubinho estava descontente com as reações do seu carro na sessão da tarde. ‘‘Entre o treino da manhã e da tarde mudamos o chassi e o caminho escolhido mostrou-se equivocado.’’
O público, que deverá ser recorde amanhã no autódromo, ao menos ontem não correspondeu: menos de dez mil pessoas ocuparam as arquibancadas. A exemplo das provas na Europa, onde a torcida alemã utiliza camisa e boné vermelho com o logotipo da Ferrari, como forma de apoiar Schumacher, em São Paulo a moda pegou também, a ponto de o vermelho ser a cor predominante em Interlagos. Um público bem maior é esperado para hoje, quando o grid será definido. A Rede Globo tramnsmite a classificação do GP do Brasil, às 13 horas.
A tão decantada pista ‘‘mesa de bilhar’’ que a Prefeitura vendeu como imagem não corresponde à realidade, na opinião de quem estava dentro dos carros de F-1. ‘‘A reta dos boxes está incrivelmente ondulada’’, disse Rubinho. A traseira dos carros batia com violência em algumas dessas ondulações. O engenheiro inglês Wayne Wilson, responsável técnico pelo novo asfalto, evitou a imprensa ontem em Interlagos. O consumo de pneus do novo asfalto ficou bem abaixo de estimado.
O treino apresentou algumas surpresas, como a quinta colocação do espanhol Pedro de la Rosa, da Arrows, e de seu companheiro, Jos Verstappen, sétimo. Pedro Paulo Diniz e Ricardo Zonta enfrentaram problemas em seus carros. A elevada temperatura de Interlagos fez com que a Sauber de Diniz trabalhasse com o óleo a 150 graus e cada duas ou três voltas era obrigado a parar nos boxes. Acabou em 18º, com 1min19s081. Zonta teve o câmbio quebrado de manhã e à tarde ficou em 17º, 1min18s789.