McLaren dá show no GP da Austrália
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domingo, 08 de março de 1998
Livio Oricchio Agência Estado 
France PresseSobrandoA McLaren dominou por completo a corrida, terminando com uma volta de vantagem sobre os adversários Mika Hakkinen está para Ayrton Senna como David Coulthard para Alain Prost, guardadas as proporções. Mika e David pilotam hoje para a McLaren, como Ayrton e Alain também, mas há exatos dez anos. A temporada começou neste último fim de semana na Austrália como a de 88: a equipe McLaren arrasou seus adversários. E muita gente na própria Fórmula 1 já acha que, como Senna e Prost, Hakkinen e Coulthard irão colecionar vitórias neste campeonato. Elas começaram na madrugada de sábado para domingo: Hakkinen foi primeiro e Coulthard, segundo. Detalhe: com uma volta na frente da Williams de Heinz-Harald Frentzen.
Depois de 19 voltas, das 58 da prova, Hakkinen já submetia o campeão do mundo, Jaques Villeneuve, da poderosa Williams, à humilhante diferença de um minuto e um segundo. No final da corrida, era tamanha a facilidade da dupla da McLaren que Coulthard decidiu presentear o companheiro com a vitória, abrindo passagem para o finlandês. É que na 36ª volta, Hakkinen entrou para fazer seu segundo pit stop, quando era líder com uma vantagem de um segundo e meio para Coulthard, mas a equipe não estava preparada, por erro na comunicação via rádio. Ele voltou para a corrida enquanto o chefe de equipe, David Ryan, explicou a Coulthard, também pelo rádio, o que se passara. Por entender que fora a McLaren a ter-se equivocado e não o próprio Hakkinen, Coulthard espontaneamente, segundo confessou, permitiu que o companheiro de McLaren reassumisse o primeiro lugar a três voltas do final.
France PresseFestaDavid Coulthard, Mika Hakkinen e Heinz-Harald Frentzen, os três primeiros colocados na provaHakkinen reclamou de Villeneuve, que não o deixava ultrapassar, apesar de ser retardatário. Frentzen, ao lado do piloto da McLaren, pediu licença para explicar. Jacques não tem culpa, Mika. Prosseguiu: Eu apostei com ele, antes da largada, que nós levaríamos uma volta de vocês e ele me disse que seria impossível. Para não perder a aposta, Jacques segurou Hakkinen, de acordo com Frentzen. Mas sem êxito. Na 34ª volta o canadense teve de ceder à incrível maior velocidade de Hakkinen. Enquanto o finlandês registrava na 38ª volta o melhor tempo da prova, com 1min31s649, o máximo que Villeneuve atingiu foi 1min35s661, na 53ª . Uma diferença preocupante de quatro segundos em uma única volta.
Villeneuve acrescentou, mais agressivamente, que é grande o atraso na área da aerodinâmica da Williams FW20. Não estou aqui para lutar pelo quinto lugar, resmungou o canadense. Ele acabou em quinto, enquanto Eddie Irvine da Ferrari foi quarto e Johnny Herbert, Sauber, sexto. Michael Schumacher abandonou ainda na quinta volta, com quebra do motor Ferrari.
O resultado do GP da Austrália supervaloriza a prova de São Paulo, dia 29. A F-1 inteira está dizendo: se a McLaren também em Interlagos, pista bem distinta da de Melbourne, impor tamanha diferença de performance aos adversários, o campeonato terá acabado antes mesmo de começar.


