McLaren admite ter acusado defletores da Ferrari
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quarta-feira, 27 de outubro de 1999
Por Livio Oricchio 
Suzuka, 28 (AE) - Enquanto os pilotos já discutem com suas equipes como obter a importante pole position do GP do Japão, treino que será disputado durante a madrugada deste sábado, às 2 horas (horário de Brasília), a restituição dos pontos da Ferrari no GP da Malásia ainda dominava, hoje, o circuito de Suzuka. Norbert Haug, diretor da Mercedes, sócia da McLaren, admitiu publicamente que foi sua equipe quem orientou a inspeção técnica nos defletores dos carros de Eddie Irvine e Michael Schumacher.
Nem parecia a última etapa do campeonato, aquela que definirá o campeão do mundo, Eddie Irvine, da Ferrari, ou Mika Hakkinen, da McLaren. O polêmico GP da Malásia, realizado dia 17
ainda estava vivo nos boxes das escuderias. "Sim, fomos nós que apontamos para Joe Bauer (comissário técnico da Federação Internacional de Automobilismo) a irregularidade no carro da Ferrari", afirmou Haug. "Não chegamos a protestar. Nossos técnicos perceberam que os defletores não atendiam à exigência da regra e informaram Bauer."
Jean Todt, diretor esportivo da Ferrari, sentado ao seu lado na entrevista coletiva, comentou: "Na Malásia nossos defletores tinham tolerância de 5 milímetros; os daqui, contudo, estão com tolerância zero." O francês defendeu o uso de "métodos mais precisos" de medição dos componentes dos carros. A pergunta mais ouvida hoje em Suzuka: se os defletores usados na prova de Sepang foram considerados "legais", por qual razão a Ferrari os mudou para a etapa do Japão?
"Se eu não for campeão será terrível", falou Irvine. Mas comentou que Todt está mais nervoso que ele. "Acho que na Malásia eu estava mais tenso", disse. "Se eu tivesse de escolher um lugar para ser campeão, optaria por Suzuka, uma pista especial para mim." Hakkinen começou falando na necessidade de disputar uma prova de ataque. "Terei de trabalhar essa idéia dentro de mim, bem como prepara o carro para dar tudo o tempo todo." O único resultado que lhe garante o título, independentemente de Irvine, é a vitória.
"Para mim esta prova será mais fácil que a da Malásia"
opina Michael Schumacher. "O que terei de fazer aqui está mais claro, eu posso vencer, isso já seria uma boa ajuda para Eddie." Mas segundo o alemão, a Ferrari não terá as facilidades da prova de Sepang. "Teremos carro novamente para ganhar, mas acho que a McLaren estará mais próxima de nós que na Malásia." No dia seguinte a sua excepcional volta às pistas, o alemão disse ter sentido dores na perna direita, a fraturada em Silverstone, dia 11 de julho.
Tudo o que Todt deseja é que desta vez a Ferrari saia da última etapa do Mundial como campeã. "Em 1997 e 1998 chegamos perto, mas não conseguimos; agora é a terceira oportunidade consecutiva, tem de dar certo." E admitiu: "Estou tenso, considero natural contudo minha reação." A pergunta mais constrangedora da entrevista abordou a respeitabilidade do título mundial deste ano, depois do julgamento tendencioso da Ferrari. Hakkinen precisou de cerca de 15 segundos para iniciar a resposta, num sinal claro da sua revolta contra a decisão de restituir os pontos à escuderia italiana.
"Vejo toda essa situação de um ângulo diferente, é impossível dar a minha opinião." Já Irvine, comentou que o grande erro dessa história ocorreu na Malásia e não em Paris, quando a FIA voltou atrás. "Em nenhum momento admiti que perderia os pontos, sabia que nossos carros estavam dentro das regras." Para ele, uma eventual vitória no campeonato "será legítima." O diretor da Mercedes surpreendeu ao comentar que a filosofia de seu time é diferente da maioria.
A imprensa desejava saber se hoje, depois de tudo o que se passou, se foi um erro não ordenar que David Coulthard desse passagem para Mika Hakkinen vencer na Bélgica, quando fizeram a primeira e a segunda colocações. "Não, os dois podiam ser campeões; se no ano que vem vivermos situação parecida, nossa decisão será a mesma." Em nenhum momento, comentou Haug, a McLaren comemorou o título depois de saber que a Ferrari havia sido desclassificada na Malásia.
Sua informação, porém, não confere com a do garçom Kamal
do hotel Pan Pacif, em Sepang, onde a McLaren estava hospedada. "Domingo (dia 17) eu os servi champanha para celebrar a conquista e os vi, dentre eles Hakkinen, comemorando."


