A McLaren pode repetir na abertura do Mundial de F-1, na madrugada de amanhã para domingo, o discutível jogo de equipe que adotou há um ano, no mesmo GP da Austrália, em Melbourne. A afirmação foi feita ontem pelo chefe do time inglês, Ron Dennis. ‘‘Esse é um esporte de equipes’’, disse o dirigente. A primeira etapa da F-1 em 99 começa à zero hora (horário de Brasília) de domingo. O treino oficial, que define o grid de largada, acontece hoje, a partir das 23 horas.
Há um ano, os pilotos da McLaren, Mika Hakkinen e David Coulthard, criaram polêmica ao protagonizar uma troca intencional de liderança no GP da Austrália. A duas voltas para o final, o escocês, que liderava a corrida, deliberadamente reduziu a velocidade e abriu passagem para o finlandês vencer.
A vitória de Hakkinen, então apenas a segunda de sua carreira, praticamente selou o destino do campeonato, já que a McLaren passou a lhe reservar tratamento de primeiro piloto. Coulthard justificou sua decisão dizendo que queria recompensar o companheiro por um erro que a equipe havia cometido nos boxes. Uma ameaça da FIA (Federação Internacional de Automobilismo): puniria quem ‘‘manipulasse’’ o resultado de uma prova.
Ontem, Ron Dennis afirmou que, dependendo do que acontecer na disputa de domingo, um de seus pilotos pode trabalhar para favorecer o outro. ‘‘Se as circunstâncias do ano passado se repetirem, acho correto que seja tomada a mesma decisão’’, afirmou o dirigente. ‘‘As equipes são livres para atuar.’’ O homem forte da escuderia, atual campeã do mundo, disse ainda que optou pela velocidade, em detrimento da confiabilidade, para a disputa do GP da Austrália-99. ‘‘Consideramos correr essa prova com o carro do ano passado, que já conhecemos tão bem. Mas escolhemos o carro novo, mais veloz, mas que ainda não provou ser resistente’’, disse Dennis.
Projetista ‘viaja’ - Considerado o grande responsável pelo sucesso da McLaren na temporada passada, o projetista inglês Adrian Newey diz que pôde ‘‘viajar na concepção do MP4/14’’, o carro da equipe para 99. ‘‘O fato de sermos os campeões e não termos que lutar desesperadamente por um resultado rápido me deu liberdade para trabalhar’’, afirmou, no mês passado.
Oficialmente, esse é seu primeiro carro na McLaren. Preso por contrato à Williams até meados do ano passado, ele teria apenas colaborado no desenvolvimento - não na criação - do MP4/13, o campeão de 98. Pelo menos uma de suas inovações é visível: o bico do carro é bem mais baixo que o usual. A novidade seria uma solução aerodinâmica para compensar a perda de aderência provocada pelos novos pneus dianteiros com quatro sulcos - em 98, eram três sulcos na frente.
Situação completamente oposta à tranquilidade de Newey é a do projetista da Ferrari, Rory Byrne, ex-Benetton, levado para a equipe italiana por Schumacher. Pressionado pela imprensa e torcedores italianos, o projetista já teria recebido um aviso prévio da escuderia: se o F399 não conquistar o Mundial nesta temporada, é grande a chance de ele ter que procurar emprego no ano que vem. ‘‘O F399 não é uma evolução do carro 98. É um carro completamente novo’’, disse Byrne. ‘‘Melhoramos sua aerodinâmica e sua estabilidade, mas o mais importante é que ele é 20 quilos mais leve que o modelo do ano passado.’’
Zanardi - Bicampeão da Indy em 97 e 98, o italiano Alessandro Zanardi foi oficialmente reapresentado à F-1 ontem, no circuito de Melbourne. Ele se definiu como ‘‘uma espécie de estreante aos 32 anos’’ e comparou as duas categorias. ‘‘Estava acostumado a liderar uma prova, sofrer um acidente, cair para o último lugar e, depois, acabar recuperando a liderança. A F-1 não funciona dessa maneira.’’

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