Mayra Aguiar brilha e ganha ouro no Mundial
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sexta-feira, 29 de agosto de 2014
Amanda Romanelli<br>Agência Estado 
Chelyabinsk, Rússia - Na primeira final do judô brasileiro no Mundial de Chelyabinsk, Mayra Aguiar conquistou nesta sexta-feira o inédito título mundial. A gaúcha de 23 anos derrotou a francesa Audrey Tcheumeo por wazari, com um golpe aplicado a menos de dois minutos do fim da luta, e garantiu o ouro na categoria meio-pesado (até 78kg). Em sua caminhada até o pódio - o segundo do Brasil no campeonato que acontece na Rússia -, ela também derrotou a norte-americana Kayla Harrison, atual campeã olímpica, na semifinal.
Foi a quarta medalha da carreira de Mayra em Mundial Adulto. Ela já somava uma de prata, em Tóquio/2010, e duas de bronze, em Paris/2011 e Rio/2013. Agora, chegou ao ouro, título que tinha conseguido ainda nas seleções de base, no Mundial Júnior de Agadir, em 2010. Para completar sua coleção, também tem um bronze olímpico, conseguido nos Jogos de Londres em 2012.
"Eu já tinha o pódio inteiro no júnior. E no sênior faltava o ouro. Eu não ia sair daqui sem ele, vim para a Rússia com esse objetivo, não ficaria satisfeita se saísse com menos", afirmou Mayra, lembrando que também já ganhou uma de prata (Bangcoc/2008) e duas de bronze (Santo Domingo/2006 e Paris/2009) no Mundial Júnior. "(Ouvir o Hino) sempre me emociona, mas dessa vez foi difícil segurar o choro. Por causa da cirurgia, passei o réveillon com o joelho inchado, mas realmente acreditando que eu iria ganhar essa medalha. Por tudo o que passei, veio um filmezinho e foi o que me emocionou no pódio."
O Mundial na Rússia é apenas a segunda competição de Mayra na temporada. A judoca passou por duas cirurgias em dezembro, no cotovelo esquerdo e no joelho direito. Seu retorno aos treinos ocorreu em abril e a reestreia nos tatames foi na metade de julho, no Grand Slam de Tyumen, também em solo russo. Na ocasião, ela foi campeã, justamente contra Kayla Harrison, mas por WO - a norte-americana se machucou e não disputou a final daquela competição.
"Ela já tinha tirado um ouro meu em um Mundial e em uma Olimpíada, e isso estava me corroendo por dentro. Eu joguei tudo no tatame, comecei muito forte, mas essa tática deu certo. Ela não esperava. Eu saí acabada da luta e tinha pouco tempo para o final, mas minha cabeça estava muito boa", contou Mayra, ao comentar sobre a rivalidade com a norte-americana.
Em Chelyabinsk, a brasileira não teve dificuldades para alcançar a semifinal. Venceu duas de suas três primeiras lutas por ippon: a estreia, diante da italiana Assunta Galeone, e a das quartas de final, contra a russa Alena Kachorovskaya. Nas oitavas de final, derrotou a espanhola Laia Talarn por um yuko.
Na semifinal, Mayra teve a oportunidade de "devolver" a derrota sofrida na semifinal dos Jogos Olímpicos de Londres, quando Kayla a derrotou para, depois, ficar com o ouro. Com um yuko e um wazari, a brasileira venceu nesta sexta-feira e equilibrou um pouco o retrospecto contra a rival - em 11 combates entre as duas, são agora cinco vitórias da judoca do Brasil. Depois, a norte-americana ficou com o bronze no Mundial, assim como a eslovena Anamari Velensek.
A meta, agora, está direcionada para os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio. "Quero ganhar minha medalha de ouro na Olimpíada também", disse Mayra. "Essa caminhada também vai ser dura, mas acho que tem tudo para dar certo. Quando a gente sonha, o sonho fica muito distante, então eu digo que tenho um objetivo, que é conquistar essa medalha. Vou fazer de tudo para deixá-la no Brasil."


