Agência Estado
De Cherating, Malásia
Quase que como em resposta a Bernie Ecclestone, que considerou ridícula a desclassificação da Ferrari no GP da Malásia, domingo, Max Mosley, o presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), comentou ontem: ‘‘O artigo 58 do regulamento esportivo da Fórmula 1 é claro quando diz que ninguém pode defender-se sob o argumento de que não tirou nenhuma vantagem de uma violação do regulamento técnico.’’ Apesar de Mosley e Ecclestone terem uma trajetória conjunta no automobilismo, a visão do presidente da FIA se opõe a do inspirador da sua candidatura à entidade, ainda em 1992.
‘‘As explicações que ouvi até agora não me parecem válidas, dificilmente o Tribunal de Apelação reverterá a decisão dos comissários deportivos da prova de Sepang’’, afirmou Mosley. Mas admitiu: ‘‘Apenas em casos excepcionais isso pode ocorrer.’’
As especulações a respeito da desclasssificação de Eddie Irvine e Michael Schumacher prosseguiram ontem ainda. O jornal alemão AutoMotor und Sport publicou que Adrian Newey, diretor-técnico da McLaren, e o chefe da equipe, David Ryan, teriam sido vistos deixar a torre de controle do circuito malaio, logo depois da corrida, na companhia do delegado técnico da FIA, o alemão Jo Bauer. Curiosamente, a McLaren não apresentou nenhum protesto contra os carros de Irvine e Schumacher. Quem detectou a irregularidade nos defletores foi Bauer.
Os mecânicos da escuderia italiana não retornaram para a Europa, como Jean Todt, o ameaçado diretor esportivo, e Ross Brawn, diretor-técnico. Eles estão de Cherating, Malásia, no Club Med, cujo maior acionista é Giovanni Agnelli, presidente de honra do grupo Fiat, proprietário da Ferrari. Sem identificar-se, eles têm opinião formada: ‘‘A FIA confirmará a retirada dos pontos da equipe mas restituirá os dos pilotos.’’ Os mecânicos da Ferrari enfatizaram ontem, por diversas vezes, que Bauer é alemão e, portanto, não era uma visão isenta, já que a Mercedes é sócia da McLaren.
Um comunicado da FIA, distribuído ontem, informa que não serão mais três, mas cinco os juízes que amanhã irão ouvir a defesa da Ferrari. Representantes da McLaren e da Stewart, times que se beneficiaram com a desclassificação de Irvine e Schumacher, também foram convidados. ‘‘Creio que divulgaremos a sentença sábado à tarde’’, disse ontem Francesco Longhanese, chefe de imprensa da FIA.

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