Maurren salta para a eternidade
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sexta-feira, 22 de agosto de 2008
Adalberto Leister Filho<br> Folhapress 
Pequim - Foi por pouco. Muito pouco, um mísero centímetro. Distância que serviu ontem para coroar a saltadora Maurren Higa Maggi, que tornou-se a primeira brasileira campeã olímpica em uma prova individual.
Foi um ouro tardio: aos 32 anos, a atleta já despontava desde o anterior ciclo olímpico como destaque de sua geração. Um caso de doping, em 2003, barrou sua ascensão e a afastou das pistas por mais de dois anos. Nesse meio tempo, casou-se, teve uma filha e quase largou o esporte. Perseverou.
Foi rápido: ontem, Maurren conseguiu seu melhor salto logo na primeira tentativa. A marca de 7,04 m, a segunda melhor da temporada, teoricamente já seria o bastante para colocá-la no pódio olímpico - seu pé direito bateu no limite que anularia o salto. Medida justa que se traduziu em ouro.
A partir daí, a prova tornou-se quase uma disputa individual entre a brasileira e Tatiana Lebedeva, que defendia seu título dos Jogos de Atenas-2004. A russa também ganhou o ouro no Mundial de Osaka-2007. A russa saltou 6,97 m em sua primeira tentativa, isolando-se em segundo. Precisando buscar a marca da brasileira, Lebedeva passou a arriscar mais - queimou quatro saltos seguidos.
O feito de Maurren recolocou o Brasil no alto do pódio do atletismo após 24 anos. O último ouro olímpico nacional havia sido conquistado por Joaquim Cruz, nos 800 m, nos Jogos de Los Angeles-1984. ''Meu primeiro salto foi seguro. Joguei pressão para cima das outras'', avaliou Maurren.
A brasileira virava o rosto quando as concorrentes, particularmente a russa, partiam para a linha de saltos. ''Nunca assisto às outras saltarem. Tenho que mentalizar o meu melhor. Só olho no placar para acompanhar minha posição e ver quanto elas saltaram. Só não quero ver como elas saltaram'', comentou Maurren.
A disputa ficou empolgante no final. Em seu último salto, Lebedeva conseguiu superar a linha de 7 metros. Maurren ficou aguardando a marca da adversária. Quando viu que a russa não a tinha superado - cravara 7,03 m -, correu até a arquibancada para cumprimentar o técnico Nélio Moura, que já havia feito Irving Saladino (Panamá) campeão no masculino, nessa mesma prova.
Maurren enrolou-se com a bandeira brasileira e carregou também uma pequena, da China, conquistando a torcida. Correu em volta da pista e foi muito aplaudida pelo público, monopolizando a atenção.


