Maurren luta para voltar ao topo
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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Amanda Romanelli<br> Agência Estado 
São Paulo - Maurren Maggi sabe, como poucos, superar desafios e transformá-los em combustível para a sequência da carreira. Aos 33 anos, a campeã olímpica do salto em distância já pode dizer que as dores no joelho direito fazem parte do passado. E que, sem o incômodo que limitou sua atuação no Mundial de Berlim, em agosto, pode pensar com tranquilidade sobre a defesa da medalha de ouro nos Jogos de Londres, em 2012.
Após o brilhante salto de 7,04m em 2008, Maurren se tornou também favorita para o título mundial no ano seguinte. Faltaram-lhe, porém, condições para brigar pela medalha. A saltadora já tinha dores crônicas no joelho direito e fazia tratamento fisioterápico para aliviar o incômodo. Adiou a estreia na temporada em três meses e se poupou ao máximo para chegar bem em Berlim.
Passou da qualificação, com 6,68m, e dizia estar pronta para brigar por uma medalha. Foi para o tudo ou nada, mas a dor falou mais alto. Chorando, abandonou a final após a quarta tentativa e terminou com o 7.º lugar. A campeã, Britney Reese, dos Estados Unidos, alcançou os 7,10m.
Com o fim da temporada e diante de um 2010 sem grandes desafios, Maurren acatou a decisão de seu médico ortopedista, Moisés Cohen, de que a operação era inevitável. A atleta passou pelo procedimento no dia 9 de setembro. Apenas 40 minutos de cirurgia foram suficientes para que um longo período até o retorno às pistas fosse decretado: um ano.
Maurren, porém, é mestre em transformar veredictos. Menos de seis meses depois da cirurgia, já fazia treinos técnicos. A Agência Estado acompanhou o primeiro deles realizado na desgastada pista do estádio Ícaro de Castro Melo, na zona sul de São Paulo. No ''quintal de casa'', como Maurren gosta de chamar o Ibirapuera, realizou tiros de velocidade, saltos em pequenas barreiras, séries de agachamento e algumas aproximações na caixa de areia. Acima de tudo, enfrentou o sol inclemente e o calor forte com a vontade de uma iniciante.
Determinada, Maurren já contava com um retorno antecipado. ''Se eu esperava? Me conhecendo, sim. A recuperação está sendo ótima, exatamente como imaginava. E a cada dia eu me sinto melhor''. Mas, mesmo com tanta certeza em um breve retorno, ainda houve espaço para surpresas. Cohen projetava a recuperação completa em setembro. ''Eu mirei julho. Agora, ele me disse que talvez eu já possa competir em junho. De qualquer jeito, quando voltar, será para saltar bem''.
E o que ajudou Maurren nessa recuperação? ''Tudo. Com uma semana de operada já comecei a sair de casa. Muita gente me deu apoio, querendo me ver bem. Além disso, sabia que 2009 tinha sido um ano excelente, apesar do joelho''.
A saltadora enumera os bons treinos realizados e a esperança de, em Berlim, ultrapassar os 6,80m. ''O choro foi por frustração, porque eu sei que não parei em Pequim. Eu evoluí, melhorei depois da Olimpíada. Por isso competi no limite da dor. Eu posso estar morrendo, mas enquanto não vier o atestado de óbito, vou continuar''.
Os técnicos Nélio e Tânia Moura, como sempre, são os fiéis escudeiros de Maurren, numa relação que ultrapassa o âmbito profissional. ''Sou uma seguidora deles'', brincou. Tanto que viajou com eles para Barcelona, onde participará de um período de treinos no Centro de Alto Rendimento. ''Na fase em que eu estou, ficar dias longe deles significa prejuízo. O Nélio tem feito mudanças na minha programação toda semana; às vezes, até no mesmo dia''.
Até porque, Maurren sabe que o dia do retorno está se aproximando, assim como as novas metas. ''É claro que penso no tricampeonato pan-americano e no Mundial, ano que vem. Mas meu negócio, mesmo, é Londres''.


