São Paulo, 22 (AE) - A saltadora Maurren Higa Maggi tem apenas 23 anos, fala "quase nada em inglês", nunca competiu em uma temporada indoor (pista coberta), estranhou o frio e viajou à Europa sozinha pela primeira vez. Tudo o que parecia dificuldade foi tratado "com tranquilidade", como definiu, hoje, Maurren, ao desembarcar em São Paulo, vinda de Frankfurt, Alemanha. Uma tranquilidade que deu à atleta cinco pódios em seis provas, entre os dias 6 e 20 - um título (Atenas), três vice-campeonatos (Bélgica, Suécia e Inglaterra) e um terceiro lugar (Alemanha). E mais: a certeza que pertence à elite que vai brigar por medalha nos Jogos Olímpicos de Sydney.
"Em maio, quando iniciar a temporada ao ar livre, vamos ter uma idéia precisa do que poderá ocorrer em Sydney", afirmou Maurren, atleta da Funilense/Olympikus. "O que deu para ver agora é que está um bolo, todo mundo junto, e eu estou nele, o sonho de medalha pode-se tornar real", disse. "Eu fiz essas provas porque queria entrar no ritmo junto com todas as meninas."
As meninas, a que se refere, são suas adversárias no mundo. Com exceção da italiana Fiona May e da norte-americana Marion Jones, ausentes na temporada indoor, Maurren competiu contra as melhores do mundo, como Niurka Montalvo, campeã mundial, Heike Drechler, quatro vezes campeã européia, a russa Olga Rublyova e a suéca Erica Johansson.
"Há um grupo no mundo de cerca de 12 saltadoras com inspiração de ganhar uma medalha olímpica", disse o técnico Nélio Moura. "O que alegra é ver que a Maurren esta incluída nessa elite mundial, que é muito consistente, com um resultado médio alto." O treinador observou que em quatro competições a diferença das marcas de Maurren não foi superior a 2 centímetros. A saltadora ainda quebrou, duas vezes, a última em Birminghan, na Inglaterra, no domingo, o recorde sul-americano indoor do salto em distância, com 6,67 m.
Maurren, que trouxe apenas uma medalha, a de prata, coquistada em Gent, na Bélgica, explicou que nos outros meetings recebeu flores, xícaras - que deu de presente no aeroporto de Frankfurt para dois brasileiros que conheceu - e lembranças, além dos cachês, que chamou de compensadores. Contou que foi bem recebida pelos organizadores das provas, sendo inclusive, anunciada nos telões como "a menina que saltou 7,26 m" - resultado que a colocou em primeiro lugar no ranking em 1999.
Resolveu as dificuldades com a língua viajando com grupos de atletas que mudavam de cidade para ir aos mesmos meetings. A distância do técnico e a ausência da família resolveu com conversas diárias, pelo telefone. Os resultados comemorou com Leão, o seu cachorrinho de pelúcia. "Amarrei a bandeira do Brasil no pescoço do Leão e sai pulando."
Maurren está pensando, inclusive, em conseguir licenciamento para colocar no mercado o cachorrinho de pelúcia Leão, mascote que não larga desde que o comprou, na Alemanha, em sua primeira competição importante, em 1997. O leão de pelúcia é uma versão do vira-lata do mesmo nome que tinha em sua casa, em São Carlos, e que morreu há dois meses.
Mas a saltadora entregou a administração de seus negócios e carreira a Impact Sports Marketing. Paulo Roberto Al-Assal disse que Maurren é "uma marqueteira natural", que "vende" pela naturalidade. "Ela pinta as unhas com a bandeira do Brasil, coloca a bandeira nas costas, é natural, espontânea, uma excelente imagem para ser passada ao público." Paulo avisa que estão descartadas ações como posar nua e que não combinam com o bichinho de pelúcia. A atleta vai estar em um comercial da Olympikus em abril.

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