O atacante Mauro, um dos principais talentos do Londrina, tem esta noite, na partida contra o Botafogo, um desafio particular: pôr fim ao jejum de gols no quadrangular final da Série B do Campeonato Brasileiro. Nos dois últimos jogos, o técnico Varlei de Carvalho o escalou na meia, para buscar jogo, mas o artilheiro não gostou da experiência. ‘‘Meu futebol aparece muito mais lá na frente. É na área que eu sou mais eu’’, garante o ‘matador’ do esquema 3-5-2 do Londrina. ‘‘Lá é comigo mesmo. É claro que não sou de me prender entre os beques. A gente não pode se amarrar no meio dos zagueiros’’, ele diz.
Apesar de tudo, Mauro reconhece que, às vezes, os jogadores devem se adaptar às conveniências do treinador, atuando em diferentes esquemas. ‘‘Se o Varlei precisar de mim um pouco mais recuado, não tem problema. Tenho minhas preferências, claro, mas estou sempre pronto a colaborar’’, afirma o artilheiro, que parou nos nove gols feitos nas fases anteriores da Série B. ‘‘Chegou a hora de desencantar, mas não vou prometer nada contra o Botafogo. Quero falar o menos possível, entrar quietinho em campo e cumprir a minha parte. Se ganharmos deles, ótimo. O que vale é a nossa vitória’’, diz Mauro, que pede respeito ao Botafogo. ‘‘Eles têm uma defesa muito forte.’’
Até agora, Mauro passou em branco no quadrangular, mas, nos 2 a 1 de segunda-feira, no Estádio do Café, diante da Desportiva, participou diretamente do gol de Luiz Carlos - o primeiro do time. No único instante em que escapou da cerrada vigilância de Nirlan, que o perseguia sistematicamente, Mauro correu livre pela meia direita e chutou em cima do goleiro, que rebateu. Luiz Carlos soube aproveitar a sobra e conferiu quase em cima da risca. ‘‘O cara não desgrudava de mim. É nessas horas que você não pode perder a cabeça’’, avisa ‘Romauro’, que já acumula dois cartões amarelos. ‘‘Mais do que nunca, vou ficar na minha pra não levar o terceiro.’’
Mauro acredita que o Botafogo jogará fechado para forçar os contragolpes. E recomenda muita cautela aos companheiros. ‘‘Eles exploram bem a velocidade. Não podemos dar bobeira. Vamos ficar ligados.’’
O zagueiro Carlos Alberto, um dos mais experientes do grupo, tem a mesma opinião de Mauro e recomenda aos companheiros que não falem mais do Gama. ‘‘Nossa briga é com o Botafogo. O Gama é outra história. Se conquistarmos os três pontos em casa, aí sim podemos projetar o jogo final’’, aconselha o capitão do time, que, a exemplo de Mauro, está pendurado com dois cartões amarelos.
O meia Adoilson concorda. Segundo ele, o Londrina deve manter a naturalidade e o equilíbrio no toque de bola. ‘‘Uma coisa é você precisar da vitória a todo custo. Outra é cair no desespero. O sufoco iria nos atrapalhar. A melhor tática é usar a inteligência.’’FICHA TÉCNICAMarcos BorgesConcentração totalLuiz Carlos escapa da marcação no treino-apronto de ontem: jogadores evitam falar do jogo contra o GamaNelson Cilo

mockup