Bastou um jogo para o uruguaio Mathías Cardacio cair nas graças do torcedor alviceleste. A grande atuação diante do Arapongas no domingo e a estreia com gol, o quarto da goleada por 4 a 0, já o transformaram no novo xodó do Londrina e ele quer retribuir esse carinho com o título parananse. Já avisou que deseja deixar o clube em maio com uma volta olímpica.
Mathías tem 24 anos e um currículo invejável. Formado nas categorias de base do Nacional, faz parte da safra que conseguiu resgatar o futebol uruguaio, que tem ainda os atacantes Cavani, do Napoli, e Luís Suarez, do Liverpool. Já vestiu a camisa da Celeste Olímpica e quer voltar a vesti-la. Jogou em grandes equipes, como o Milan e deve disputar o Brasileirão por Cruzeiro ou, o mais provável, São Paulo. ''Agora minha cabeça está aqui no Londrina, em ser campeão com o Londrina, o que seria uma alegria muito grande para mim, para a minha carreira'', disse o meia.
O camisa 8 do Tubarão falou com a FOLHA sobre a estreia no Londrina e os planos para o futuro, que incluem disputar a Copa do Mundo de 2014. Confira:
Você é um jogador com currículo diferenciado e que desembarcou no Londrina para se preparar para ir para um grande clube, mas acabou não dando certo. Como foi para você quando ficou sabendo que iria defender o Londrina, que é uma equipe modesta?
Eu estava preparado para outra coisa, mas eu treinei aqui e gostei muito das instalações. Meu empresário, o (Juan) Figger, me disse que era difícil arrumar um time no Brasil agora e que era melhor jogar o Estadual aqui. Gostei da ideia. E essa é a ideia: jogar aqui, conseguir o título para o Londrina, sair campeão e, a partir de maio, quando começa o Brasileirão, ganhando bastante jogos e ritmo, posso encontrar um time de Série A.
Você esperava cair nas graças da torcida tão rapidamente?
Não, não. Sempre isso é motivante. Um jogador gosta disso, é verdade, mas o mais importante é que o Londrina jogou bem. Se a equipe jogar bem eu também vou jogar, seguramente. Devemos seguir este caminho de vitórias e creio que todos queremos que ao final do campeonato o Londrina seja o campeão e que daí o futuro seja bom para cada um.
O destino será o Cruzeiro?
Não sei ainda. Antes haviam me falado do Cruzeiro, do São Paulo, mas não sei. Mas como te disse antes, agora minha cabeça está aqui no Londrina, em ser campeão com o Londrina, o que seria uma alegria muito grande para mim, para a minha carreira. Poder ganhar algo com essa equipe que me abriu as portas. Todos aqui me deram muita confiança e isso é muito importante para mim.
Como é trabalhar com o Tencati?
Sou muito agradecido a ele, pois me ajudou muito, sempre me deu muita confiança. O fato de ter jogado bem no domingo eu devo muito ao Tencati. Ele dá muita confiança também aos companheiros. É um treinador que trabalha muito o plano tático, o psicológico, e é muito motivante trabalhar com ele.
Você é de uma grande geração do futebol uruguaio.
Minha geração é a mesma do Luís Suarez, que está no Liverpool, do Cavani, que está no Napoli, e do Cáceres, defensor da Juventus. Depois também joguei na seleção principal que vem fazendo muita coisa boa, com o Forlán, é uma geração importante essa de 1987 e sou muito feliz por isso.
Você vê o Uruguai como principal força sul-americana hoje? Por que o futebol uruguaio cresceu tanto?
Porque encontrou um treinador muito bom como é (Oscar) Tabarez. Creio que é a base dessa seleção. Há um projeto desde o juvenil até a seleção principal há anos. E quando um treinador respeita esse projeto, acredito que dá frutos. Hoje, acredito que o Uruguai se não é o melhor está entre os melhores junto com Brasil e Argentina na América e já mostrou isso na Copa América e na Copa do Mundo e torcemos para que o Uruguai possa continuar nesse caminho de vitória e que possa conseguir um título grande que seria um orgulho para nós.
Daqui a dois anos teremos a Copa do Mundo aqui no Brasil. Você ainda tem planos de voltar à seleção uruguaia e quem sabe para o Mundial?
Eu sempre penso na seleção. Tenho 24 anos, já estive na seleção, conheço o projeto de Tabarez, e acho que dá. Tenho que ir passo a passo. Primeiro ganhar o campeonato aqui com o Londrina, depois disputar o Brasileirão por um bom time, e poder fazer um trabalho para Tabarez me observar e me chamar para a seleção o que seria muito motivante. Creio que há tempo para ir ao Mundial de 2014.
Você gosta de tênis e é fã do Roger Federer?
Gosto muito do Federer, gosto muito de tênis, não jogo bem, mas tento jogar.
Você se inspira nele?
Gosto da linha dele. Em campo, gosto muito do jogo técnico. Sou fanático pelo Barcelona, sou fanático pelo Federer. Penso que priorizam a qualidade sobre a força física. Me inspiro, sim, nas pessoas que têm mais qualidades do que esforço físico. Tenho também como ídolo o Pirlo (volante da Juventus), com quem joguei (no Milan).
No Uruguai alguém para servir de espelho?
Hoje o Forlán é uma grande imagem para todos os uruguaios.

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