São Paulo - A Holanda precisou de quatro anos para se vingar da Espanha pela derrota na final da Copa do Mundo de 2010. Com uma atuação surpreendente, os holandeses saíram atrás no placar, mas buscaram uma virada fulminante no segundo tempo e golearam os atuais campeões mundiais por 5 a 1, nesta sexta-feira, na Arena Fonte Nova, em Salvador, na estreia das duas equipes.
No jogo que pode vir a ser escolhido como um dos melhores deste Mundial, a Holanda contou com atuações inspiradas de Arjen Robben e Robin Van Persie para derrubar a também atual bicampeã europeia. Cada um marcou duas vezes, repetindo o desempenho de Neymar, que também fez dois gols, na abertura, na última quinta.
O desempenho incrível da Holanda fez a festa da torcida nas arquibancadas. Gritos de "olé" eram ouvidos na Arena Fonte Nova nos minutos finais do confronto, que deve desequilibrar as expectativas no Grupo B da Copa. Com três pontos, a Holanda desponta na liderança e aguarda o jogo entre Chile e Austrália, que se enfrentam ainda nesta sexta.
Será do Grupo B que sairá o eventual adversário da seleção brasileira, caso se confirme a classificação para as oitavas de final. Se ficar em primeiro do Grupo A, o Brasil vai encarar o segundo do B. O resultado desta sexta aumentou as chances de um possível confronto entre brasileiros e espanhóis, o que reeditaria a final da Copa das Confederações do ano passado.
À Espanha resta a esperança de repetir neste ano a campanha de 2010, quando também foi derrotada na estreia. Na ocasião, perdeu da inexpressiva Suíça, mas só por 1 a 0. Agora terá que superar Chile e Austrália para ter chances de avançar na competição.
A partida desta sexta em Salvador foi marcada por fortes vaias da torcida a Diego Costa, brasileiro que decidiu se naturalizar para defender a seleção espanhola. O atacante já havia sofrido com hostilidades da torcida durante treinos em Curitiba, onde o grupo espanhol está concentrado.

INÍCIO AMARRADO
Um dos duelos mais aguardados desta primeira rodada da Copa, Espanha e Holanda fizeram um início de partida amarrado. Os espanhóis tentavam impor o seu conhecido toque de bola, enquanto que os holandeses resistiam, buscando o ataque e empurrando o rival para trás.
Liderada pelo meia, a Espanha começou a impor seu estilo a partir dos 20 minutos. A Holanda aceitou o crescimento do rival e passou a levar sustos na defesa, reforçada com uma linha de cinco jogadores: três zagueiros e dois laterais.
A "punição" veio aos 25 minutos, em uma jogada iniciada por David Silva. Ele acionou Xavi, que enfiou para Diego Costa, dentro da área. O atacante deu belo corte no zagueiro De Vrij e sofreu falta dentro da área. Xabi Alonso cobrou o pênalti e abriu o placar.
Melhor em campo, a Espanha teve boas chances de ampliar o placar antes do intervalo. Na melhor delas, David Silva recebeu ótima enfiada de Iniesta e, cara a cara com Cillessen, tentou encobri-lo, sem sucesso. O goleiro desviou para fora, aos 42 minutos.
Sem aproveitar as suas oportunidades, a Espanha sofreu o empate aos 43 minutos, em um golaço de Van Persie. O lateral-esquerdo Blind fez longo lançamento do meio de campo e achou o atacante livre de marcação dentro da área. Bem colocado, Van Persie deu um peixinho e cabeceou por cobertura da marca do pênalti para superar Casillas, empatando o confronto.
Sob chuva, o segundo tempo começou no mesmo ritmo do fim da etapa anterior, com a Holanda mais atenta em campo. E foi justamente em um lance de desatenção espanhola que os holandeses roubaram a bola no meio e iniciaram a jogada do gol da virada. Blind, novamente, deu grande assistência. Desta vez para Robben, que cortou Piqué e bateu de canhota, como sempre, para anotar o segundo gol da Holanda, aos 7 minutos.
A situação da Espanha quase ficou mais complicada aos 14, quando Van Persie acertou belo chute e carimbou o travessão. Cinco minutos depois, o mesmo atacante foi figura determinante para o terceiro gol holandês. Em cobrança de falta na área espanhola, Van Persie fez falta em Casillas, não marcada pela arbitragem, e De Vrij só completou para as redes na segunda trave.
O que parecia ruim para a Espanha ficou ainda pior aos 26 minutos. Em uma falha feia na saída de bola, Casillas deixou a bola escapar e viu Van Persie fazer a roubada e mandar para o gol vazio. E, como se não fosse o bastante, a Holanda teve tempo de marcar o quinto aos 34. Depois de uma roubada de bola na defesa, Robben recebeu longo lançamento, entrou na área, driblou duas vezes Casillas e mandou para as redes.
Na próxima rodada do Grupo B, a Espanha tentará buscar a reabilitação diante do Chile, de Valdivia e Alexis Sanchez, na quarta-feira, no estádio do Maracanã, no Rio. A Holanda vai encarar a modesta Austrália, no mesmo dia, no estádio Beira-Rio, em Porto Alegre.

EM SALVADOR

ESPANHA 1
Casillas; Piqué, Azpilicueta, Sergio Ramos e Jordi Alba; Xabi Alonso (Pedro), Xavi, Busquets, Iniesta e David Silva (Fàbregas); Diego Costa (Fernando Torres). Técnico: Vicente Del Bosque

HOLANDA 5
Cillessen; Janmaat, Vlaar, De Vrij (Veltman), Martins Indi e Blind; De Jong, De Guzmán (Wijnaldum) e Sneijder; Robben e Van Persie (Lens). Técnico: Louis van Gaal

ÁRBITRO: Nicola Rizzoli (ITA)
ESTÁDIO: Arena Fonte Nova
GOLS: Xabi Alonso (pênalti), aos 26, e Van Persie, aos 43 minutos do 1º tempo; Robben, aos 7 e aos 34, De Vrij, aos 19, e Van Persie, aos 26 minutos do 2º tempo

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