Spa-Francorchamps, Bélgica - Chovia forte em Spa-Francorchamps quando Adam Constanzo, preparador físico e espécie de braço direito de Lewis Hamilton, desceu correndo as escadas do paddock.
Com a mala do piloto nas mãos e ainda com a camiseta laranja que a McLaren usa para comemorar suas vitórias, tentou passar por um caminhão da Ferrari que manobrava. Quase foi atropelado. ''Seus idiotas, odeio vocês'', berrou.
A irritação tinha motivo. A cena aconteceu logo após a FIA punir o piloto inglês, que havia vencido o GP da Bélgica, e dar a vitória a Felipe Massa, que chegara em segundo.
O motivo da punição foi uma manobra realizada a três voltas do fim da prova, quando Hamilton tentava ultrapassar Kimi Raikkonen para assumir o primeiro lugar. O piloto da McLaren cortou uma chicane e ficou à frente do finlandês. Depois de um duelo emocionante, a chegada da chuva e o abandono de Raikkonen, Hamilton terminou em primeiro.
''Coloquei o carro, mas o Kimi não me deixou espaço. Se eu ficasse lá, a gente batia. Ou eu podia ir para a esquerda, e foi o que eu fiz'', justificou Hamilton. ''Eu sabia que tinha que dar passagem, mas fui acelerando para ele não abrir muita vantagem. A disputa foi emocionante e acho que não fiz nada de errado. A regra diz que eu deveria deixá-lo passar, e foi o que fiz.''
''Eu paguei o preço por tentar vencer'', falou Raikkonen. ''Existem regras sobre cortar chicanes e elas têm de ser seguidas. Além disso, o Lewis ficou ''dançando' na minha frente. A regra diz que você não pode trocar de trajetória mais de uma vez'', completou o finlandês, que ficou mais longe do bicampeonato mundial.
Após o fim da corrida, os comissários consideraram o inglês culpado por violar o regulamento esportivo da F-1 e lhe deram um drive through.
Como a prova já estava encerrada, adicionaram 25 segundos a seu tempo final. Com isso, Hamilton caiu para terceiro. ''Quando vi aqueles dois (Raikkonen e Hamilton) brigando como se fosse a última volta da última corrida do campeonato, eu pensei justamente o contrário'', afirmou Massa. ''Pensei em só levar o carro ''pra casa' e ter sorte de ganhar uns pontos a mais. Eu não arrisquei. Parecia um bundão guiando. Mas valeu a pena'', completou o brasileiro, antes de ser declarado vencedor.
No momento em que saiu a decisão, às 18h08 na Bélgica (13h08 de Brasília), Massa ainda estava no circuito. Mas a Ferrari achou que não seria elegante permitir que o brasileiro falasse outra vez com a imprensa, desta vez como ganhador.
Com o resultado, a desvantagem do ferrarista para Hamilton no Mundial diminuiu de seis para apenas dois pontos.
Questionado sobre a manobra polêmica de Hamilton, Massa se esquivou. ''Pra mim é difícil falar sobre isso, não vi exatamente o que aconteceu'', afirmou. ''Prefiro não comentar e pensar na próxima prova.''
Insatisfeita com a decisão dos comissários na Bélgica, a McLaren irá recorrer. Agora, a Corte de Apelações da FIA é quem irá julgar o recurso.

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