Martha e Cleusa têm objetivos diferentes na corrida feminina
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quarta-feira, 29 de dezembro de 1999
Por Paulo Guilherme e Rafael Aguiar 
São Paulo, 29 (AE) - Martha Tenório é do Equador, tem 30 anos, já ganhou duas vezes a São Silvestre e deve disputar com a iugoslava Olivera Jevtic o primeiro lugar na prova feminina. Cleusa Maria Irineu é brasileira, tem 34 anos, foi a melhor corredora do país na prova do ano passado (chegou em quinto lugar) e acredita que pode lutar por uma colocação ainda melhor.
As duas corredoras têm em comum a bagagem de quem busca o sucesso diante de tantas dificuldades vividas nos países da América do Sul. Martha Tenório quer ser a melhor para servir de exemplo para seu povo. Cleusa Irineu, como a maioria dos brasileiros, quer um reconhecimento profissional e, principalmente, financeiro.
A brasileira diz que até o início do ano passado não encarava o atletismo com tanta seriedade. Dividia o tempo de treinamento com cursos de pós-graduação em Educação Física para deficientes, basquete e treinos esportivos. "Um dia vi que ou eu resolvia a minha vida correndo ou de alguma outra maneira", conta Cleusa. Cleusa, então, decidiu se dedicar integralmente ao atletismo.
O prêmio por ser a brasileira melhor colocada em 98 não seduziu a corredora. "Sinceramente esperava que a São Silvestre me desse mais retorno financeiro", afirma. Ainda assim, não se arrepende de ter optado pelo esporte."Se passasse 40 horas semanais dando aula não teria a renda que tenho hoje", explica.
Martha Tenório já é um nome consolidado nas provas de longa distância do atletismo mundial. É a única atleta que conhece as duas vias da São Silvestre: ganhou em 1987 quando o percurso começava com a descida da Brigadeiro Luiz Antônio e terminava com a subida da Consolação, e em 1997, com o sentido inverso. A corredora treina com Juan Aralco, que foi técnico do tetracampeão da prova Rolando Vera. "A Martha tem condições de igualar e até bater o número de vitórias de Vera", aposta o treinador.
A equatoriana perdeu a disputa em 98 para a iugoslava Jevtic mas diz estar pronta para uma revanche. "Posso melhorar em 90 segundos o tempo que fiz ano passado", aponta. "Agora estou melhor preparada e mais descansada que em 98."
Martha pretende se tornar uma lenda na história da São Silvestre para agradar ao povo do Equador. O país está afundado em uma grande crise financeira e, segundo a corredora, as pessoas estão sem perspectivas de melhoria na qualidade de vida. "Uma vitória na São Silvestre seria um ótimo presente de Ano Novo e um incentivo para os equatorianos confiarem na redenção do nosso país", discursa. "Quando você alcança o sucesso outras pessoas passam a te seguir."
A filosofia de vida Martha procura espalhar na própria família. Seu sucesso nas corridas pelo mundo inspirou dois dos seus oito irmãos, Franklin e Washington, a iniciarem no atletismo. Franklin está em São Paulo e vai participar pela primeira vez da prova.


