Marta pode virar novo símbolo do futebol
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 20 de dezembro de 2006
Agência Estado 
Zurique - Cobiçada por clubes de vários países e até para se tornar embaixadora da ONU (Organização das Nações Unidas), Marta e seus assessores montam um plano para transformar a jogadora na nova imagem globalizada do futebol feminino nos diversos mercados. Na segunda-feira, Marta ganhou o prêmio de melhor jogadora do mundo, com apenas 20 anos. Sua situação internacional se contrasta com a realidade brasileira, onde nem mesmo um campeonato nacional consegue ser organizado.
O Brasil é o País do futebol masculino. Não o País do futebol feminino, atacou a número 1, que é obrigada a viver literalmente em dois mundos bem diferentes quando se trata de sua profissão.
Marta joga desde os 17 anos no Umea da Suécia, país onde o campeonato nacional é considerado como o mais competitivo do mundo. Lá, vive a vida de uma verdadeira estrela, ainda que dificilmente fosse reconhecida se caminhasse pelas principais ruas das cidades brasileiras. Sua fama chamou a atenção dos agentes de Ronaldo que, há poucos meses, assinaram um contrato com a jogadora. Estamos montando um plano para desenvolver a imagem da jogadora, afirmou Fabiano Farah, seu assessor, que admite a negociação com empresas para que utilizem a imagem de Marta.
Apenas nas últimas semanas, a meia-atacante recebeu quatro propostas diferentes para mudar de clube, inclusive para os Estados Unidos e Alemanha. Na Suécia, um clube ofereceu dobrar seu salário para R$ 600 mil por ano para a próxima temporada.
A jogadora ainda conta com um contrato com a Puma e o objetivo de sua assessoria agora é a de estender esse contrato para a difusão da imagem de Marta em vários mercados, principalmente nos Estados Unidos, país onde o futebol feminino chega a superar o masculino em número de atletas. Eles sabem que a Marta é uma grande plataforma de promoção, afirmou Farah.
Outro mundo Se os projetos para Marta no mundo avançam bem, a jogadora admite que não teria o que fazer hoje no Brasil. Não tenho planos para voltar para o Brasil agora. O que é que eu vou fazer lá se não nem um campeonato, afirmou. O futuro do futebol feminino a Deus pertence. O Brasil ganhou a medalha de prata na Olimpíada de 2004 e, mesmo assim, nada mudou no País, criticou a jogadora.
Espero que o troféu que ganhei como melhor do mundo ajude a conscientizar as pessoas. Se nada for mudado no Brasil, as jogadoras continuarão a não ter nem como mostrar o que sabem. Enquanto não houver clubes e um campeonato, a única solução para uma jogadora será sair do Brasil, disse.


