São Paulo - Desrespeito à hierarquia do clube, atrasos e ausências em treinamentos e a certeza de polêmicas extra-campo. Tudo isso, invariavelmente, faz parte da rotina de muitos jogadores brasileiros que atingiram fama e sucesso, se transformaram em estrelas internacionais e decidiram voltar ao País. Foi assim com o atacante Ronaldo no Corinthians e com Adriano, na passagem que teve por São Paulo e Flamengo. Apesar disso, 2011 começa marcado por disputa intensa, para alguns até insana do ponto de vista financeiro, entre três grandes clubes brasileiros - Palmeiras, Flamengo e Grêmio - pela contratação de Ronaldinho Gaúcho.
Mas o que estaria por trás desse comportamento? Mesmo cientes de algumas implicações negativas, os clubes se submetem a malabarismos financeiros para viabilizar a vinda deles. ''Simples. Eles ainda resolvem. Jogadores como esses se encontram em um nível técnico tão acima da média que fazem a diferença'', opinou o técnico da seleção brasileira, Mano Menezes.
Se os treinadores, encantados com o potencial técnico dessas estrelas, aceitam ceder até alguns privilégios para contar com atletas desse nível em seu grupo, dirigentes mostram que o custo-benefício, na maioria das vezes, é positivo também - ou principalmente - por outras razões. ''Se o Ronaldo não entrasse em campo pelo Corinthians, a contratação dele ainda assim seria positiva'', disse o presidente do clube, Andrés Sanchez.
Para o diretor de marketing do Palmeiras, Rogério Dezembro, o esforço que o clube tem feito desde julho para contar com Ronaldinho Gaúcho não se resume a encontrar um parceiro capaz de bancar os altos valores referentes à contratação. ''É um negócio que projeta a marca do clube, seja ele qual for, para todo o mundo'', afirmou. ''Por isso, além de encontrar parceiros, o marketing precisa de uma estratégia para a própria marca do clube, para explorar toda essa repercussão''.
Representantes dos três clubes que negociam com Ronaldinho Gaúcho adotaram discurso parecido ontem. Ao mesmo tempo que fazem questão de mostrar otimismo, lembram que já ofereceram tudo o que podiam e que agora só esperam pelo parecer do jogador. ''Quero resolver tudo isso até o dia 4 (terça)'', disse o irmão e empresário do craque, Assis.

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