Mariposa vence etapa até Salvador
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segunda-feira, 10 de abril de 2000
Por Julio Cruz Neto 
Salvador, 11 (AE) - O Mariposa foi o vencedor da terceira perna da Regata do Descobrimento, entre Mindelo (Cabo Verde) e Salvador. Após vitórias do Marujo nas duas primeiras pernas, mais um veleiro português levou a melhor. Com exceção do trimarã Bahia, que havia chegado na última quarta-feira, os barcos começaram a atracar ontem na capital baiana. Já o Cisne Branco, navio-veleiro da Marinha, só vai chegar amanhã de manhã.
Dos quatro veleiros que disputam de fato a regata (Mariposa, Viva, Marujo e Papa Léguas), o Mariposa foi o primeiro a chegar. Nas duas pernas anteriores, havia feito o mesmo, ficando porém em terceiro lugar no tempo corrigido. Dessa vez, não. O Marujo só seria o vencedor se chegasse até as 14h30 de hoje. Mas não chegou.
Assim, o Comandante Alfredo Messeder, da Federação Portuguesa de Vela, declarou o Mariposa campeão da perna mais longa, que teve 2.200 milhas (4.074 quilômetros) e duas semanas de duração. Falando por telefone do Centro Náutico de Salvador, Messeder adiantou também que o Viva, do Brasil, ficou com a segunda colocação, pois até as 18h o Marujo não havia chegado - na tomada de posições de hoje pela manhã, esse veleiro não informou sua localização. O Mariposa teve tempo real de 12 dias, 20h13m23s (corrigido de 8 dias 8h17m30s). Já o Viva fez em 13 dias, 9h40m21s (corrigido de 8 dias, 9h11m27s).
Com esse resultado, o Mariposa, que tinha seis pontos, vai a sete. O Viva, que também tinha seis, vai a oito. E o Marujo, mesmo com o provável terceiro lugar, mantém a liderança: tinha dois pontos e vai a cinco. A disputa fica mais acirrada para as duas últimas pernas: Salvador-Cabrália e Cabrália-Rio de Janeiro. A exceção é o Papa Léguas, que tinha 11 pontos e agora deve ir a 15.
Sem se preocupar com horário e posição de chegada, o Paratii, que apenas participa da viagem, vai fazendo um belo passeio turístico pelo Oceano Atlântico. Após parar nos Penedos de São Pedro e São Paulo e no arquipélago de Fernando de Noronha, segue agora para a Prainha da Espera, 37 milhas (68,5 quilômetros) ao norte de Salvador. Hoje à noite, estava a apenas 3 milhas (5,5 quilômetros) do Cisne Branco.
"Fizemos uma velejada boa de Noronha para cá, mas com vento contra e orça muito apertada", disse hoje, por rádio, o comandante Amyr Klink (orçar é velejar contra o vento): "O mar esteve sempre tranquilo. Agora vamos fazer uma paradinha sentimental na Prainha da Espera. Se ficarmos lá só uma hora, estaremos em Salvador amanhã às 17h."
Também na categoria viagem, o português Santa Cruz vai se dirigindo a Salvador após uma parada para reabastecimento em Recife. Um dos principais entretenimentos da tripulação, comandada pelo simpático João Talone, desde a saída de Lisboa foi ouvir os jogos do Campeonato Português de futebol no rádio. A única regra é evitar briga para não haver racha entre os tripulantes.
O Santa Cruz é um dos 23 veleiros portugueses que compõem a Frota do Azeite, patrocinada por uma associação de 50 produtores portugueses que comemoram 50 anos de azeite luso no Brasil. Os antigos navegadores costumavam viajar com muitos litros de óleo para jogar no mar e deixá-lo mais liso. Para isso, existe um argumento físico-químico. E no âmbito da superstição, dizem que outros levavam azeite para acalmar os deuses e garantir águas calmas. Julio Cruz Neto


