Atenas - Alexandre Vasconcellos, Jair Henrique Alves e Renato Tupan Ruy começaram a jogar handebol no colégio. Sonhavam, mas nunca imaginaram o que isso poderia de fato representar na vida deles. Hoje, descobriram. Para cada 50 mil habitantes da cidade de Maringá, nasceu um deles. A cidade tem a melhor média de atletas olímpicos brasileiros entre cidades de médio e grande porte de todo o Brasil nos Jogos Olímpicos de Atenas. Além dos três do handebol, também tem Natália Falavigna, do taekwondo.
''A gente se envolve tanto para treinar para um campeonato e acaba não tendo noção do tamanho disso'', diz Tupan. ''Outro dia jogávamos no colégio e agora somos pessoas públicas. As pessoas te conhecem e você, às vezes, nem sabe quem são'', comenta o jogador, que desde agosto de 2003 joga na Alemanha, país que concentra as melhores equipes do mundo na modalidade.
''Ser um entre 50 mil em uma cidade que há 10 anos não sabia a nossa história é sensacional'', relata o ponta-esquerda Jair, que joga pela Unifil, em Londrina.
Para o goleiro Alexandre este é o retrato do trabalho de base que o handebol faz na cidade. ''Hoje somos três na seleção, mas poderíamos ser muito mais. Talentos para isso temos, graças aos profissionais sérios que nos formaram e que continuam preparando bons jogadores'', diz.
O handebol masculino chegou a Atenas na madrugada de terça-feira e aproveitou o final da tarde para realizar o primeiro treino no Ginásio Zirinis. ''É a realização de um sonho após 12 anos de treinamento'', diz o goleiro da seleção, que estava em Winnipeg, em 99, onde o Brasil perdeu a vaga olímpica para Cuba por apenas um gol de diferença.
''De lá pra cá, houve um amadurecimento muito grande de todos nós jogadores e até da própria confederação'', diz. ''Prova disso foi a medalha de ouro em Santo Domingo'', completa. A vitória sobre a Argentina, também por um gol de diferença, deu ao Brasil a oportunidade de, pela primeira vez na história, conquistar, em quadra, o direito de ir a uma Olimpíada.
''Nas outras duas vezes, herdamos a vaga de Cuba em cima da hora e nunca deu pra fazer uma preparação bem feita'', conta SB, um dos dois remanescentes da seleção que disputou os Jogos de Barcelona (92) e Atlanta (96).
Para eles, o objetivo agora é terminar entre as oito melhores equipes. ''Este já seria um avanço muito significativo para o handebol brasileiro. Quem vive e acompanha o handebol, sabe o real valor de um resultado como este'', diz Tupan.
O primeiro jogo da seleção de handebol acontece nos sábado, às 14h30 (de Brasília). O Brasil enfrenta a França, campeã mundial em 2001. Na chave do Brasil ainda estão a Alemanha, atual campeã européia, a Hungria, o Egito e a Grécia.

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