Maringaense vira dúvida para estréia do Japão
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segunda-feira, 05 de junho de 2006
Márcio Tavares<br> Agência O Globo 
Bonn, Alemanha - A última folga antes da concentração fechada para tudo e para todos por causa da Copa do Mundo foi no gelo. Patinando e se divertindo? Não. Foi com uma bolsa de gelo no pé esquerdo, que está dolorido, consequência de um chute no jogo contra Malta, domingo, que pegou de mau jeito e dobrou o pé, provocando uma torção no tornozelo. Um sacrifício que Alessandro Santos, o brasileiro Alex da seleção japonesa, encarou com resignação, tudo em nome do sonho de disputar o Mundial-2006.
Participar da maior festa do futebol mundial não é novidade para o maringaense Alex, que aos 28 anos sustenta a invejável posição de titular absoluto da lateral-esquerda e tem a responsabilidade de ser uma das peças ofensivas mais importantes do time de Zico.
Há 11 anos jogando no Japão, naturalizado por opção própria e consciente de que a hora de brilhar é agora, nem mesmo o desafio de enfrentar o Hino Nacional brasileiro afeta Alex. Qual será a reação ao ouvir aquela música que sempre mexe com o coração de gente emotiva como o brasileiro? ''Melhor nem pensar'', responde Alex rapidamente. ''Melhor nem pensar. É entrar em campo e não se ligar muito nisso. Mas não estamos pensando muito no Brasil não. Antes temos duas partidas difíceis e nosso jogo-chave é contra a Austrália. É uma escada que vamos subir degrau por degrau''.
Alex fala com a certeza de que a contusão no jogo com Malta não vai impedir sua escalação. Hoje, ele será reavaliado pelo médico da seleção japonesa, mas pelas palavras otimistas do fisioterapeuta da delegação, o brasileiro Ricardo Oliveira, o lateral-esquerdo certamente estará liderando a fila do time japonês na hora da execução do hino, como aconteceu domingo. Os telões da Arena de Dusseldorf mostraram um Alex compenetrado e emocionado cantando o hino japonês sem enrolar. ''Não estava tão emocionado assim não. Cantei normalmente como canto sempre''.
Depois desses 11 anos no país, Alex fala japonês fluentemente, idioma que aprendeu frequentando a escola de Koti, pequena cidade ao Sul do Japão, para onde se transferiu ainda adolescente, recém-saído de Maringá. Ele não se arrepende. Hoje curte o filho de 8 meses, joga no Urawa Red e acha que sua vida está mesmo ligada ao Japão.
Carreira no Japão Sua história no Oriente na verdade começou em 1994, quando aos 17 anos, chegou num intercâmbio estudantil para jogar pelo Shizuoka's Meitoku Gijuku, da escola onde estudava. Três anos depois, foi descoberto pelo Shimizu S-Pulse, na época um dos mais importantes clubes do Japão. Logo virou titular da meia-esquerda.
Em 1999, Alex foi eleito o melhor jogador da J-League, com o Shimizu S-Pulse terminando em segundo lugar, derrotado nos pênaltis para o Jubilo Iwata. Em 2000, a afirmação definitiva veio com a conquista da Copa dos Campeões da Ásia. No ano seguinte, foi campeão da Copa do Imperador. Incentivado por Phellipe Troussier, o francês técnico da seleção japonesa, Alex pediu a cidadania para disputar a Copa do Mundo de 2002.
Mas só conquistou a vaga de titular na seleção com Zico, que trocou o 3-5-2 pelo 4-4-2, levando Alex do meio-campo para a lateral esquerda.


