Maringaense quer vaga no Ironman Mundial
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terça-feira, 25 de maio de 2010
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Há seis anos o personal trainer de Maringá, César Henrique Dalquano, 31 anos, não sabia o que era um pneu tubular, nem mesmo trocar marchas de bicicleta. Na verdade, naquela época, ele nem mesmo tinha uma bicicleta. Foi depois de ver um amigo completando a prova mais pesada de triathlon, o Ironman Brasil, que Dalquano se empolgou em começar a treinar. Hoje, depois de já ter participado de várias competições menores, está indo para o seu 5º Ironman, prova que acontece no próximo domingo, em Florianópolis (SC), e busca a classificação para o Ironman Mundial, no Havaí (EUA), que acontece em outubro.
Assim como os 1,6 mil atletas que participarão da prova, Dalquano vai nadar 3 quilômetros nas águas frias da Praia do Jurerê; pedalar outros 180 e correr uma maratona: 42 quilômetros. Mas, o maringaense sabe muito bem onde está se metendo: o Ironman Brasil foi a primeira prova pela qual ele passou em sua estreia no triathlon. ''Eu só tinha feito duas provas pequenas de Duathlon Aquático. Cheguei no final da prova com hipotermia (temperatura corporal abaixo do normal) e hiponatremia (falta de sódio no plasma sanguíneo). Não conseguia nem falar direito, mas completei em 11 horas e isso me serviu de base para melhorar minha marca nos anos seguintes'', disse.
Casado, com um filho e um enteado pequenos, o triatleta nunca teve patrocinadores e se esforça num contínuo desafio em economizar dinheiro para compra de equipamentos e inscrições das provas. ''Não consegui ir nos dois últimos Ironman por falta de verbas mas nunca deixei de treinar'', comentou.
As planilhas de treinos, exceto as de natação, são montadas pelo próprio atleta. Dessa forma, o maringaense busca adequar os treinos com o horário de trabalho. Os treinos de corrida e ciclismo chegam a somar quatro a cinco horas diárias, além de ''pequenas viagens'' que ele faz de Londrina a Maringá (ida e volta) em pouco menos de seis horas. ''O Ironman é uma prova muito cara não só pelo valor da inscrição, mas para ter bons equipamentos de competição, entre outras coisas. Meus pais me ajudam muito nesse quesito. Já deixei de trocar de carro e de viajar com minha esposa pra trocar de bike e comprar rodas de carbono. Também já dispensei atender alunos no meu trabalho para ter tempo disponível para treinar'', disse.
Apesar de terem sido poucos os momentos de lazer que ele passou ao lado dos familiares durante todo período de treino, dessa vez a família toda vai acompanhá-lo na viagem para Florianópolis. Estarão presentes os pais, duas irmãs, dois cunhados, esposa e o técnico de natação.
Diferente de muitos atletas, Dalquano nunca sofreu nenhuma lesão. Atualmente ele chega a concluir treinos de 140 quilômetros de bicicleta tranquilamente. ''No meu último Ironman, em 2007, fiquei em apenas 10 minutos da vaga para o Mundial. Nesses dois anos fora do Ironman fiz provas menores e já obtive 1º lugar na categoria 25-29 anos no Meio Ironman de Pirassununga-SP e também 7º lugar na categoria elite no Meio Ironman de Ubatuba-SP. O sonho de muitos triatletas é participar do Ironman do Havaí e esse é meu objetivo desde que comecei. Se Deus quiser esse ano atingirei meu objetivo'', concluiu.


