Maringaense enfrentará o Brasil no Mundial
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sábado, 29 de abril de 2006
Giancarlo Franquini<br> Especial para a Folha 
Maringá - No dia 22 de junho um maringaense entrará em campo no confronto entre Brasil e Japão, na Copa da Alemanha. Mas não será com a camisa da seleção brasileira. O lateral-esquerdo Alessandro dos Santos, o Alex, 28 anos, se naturalizou japonês em 2001 e vai disputar sua segunda Copa pela seleção japonesa jogou o Mundial de 2002.
Os pais de Alex moram em Maringá e estão com viagem marcada para Alemanha. Eles verão o filho jogar e esperam, no dia do confronto, que as duas seleções já estejam classificadas para a segunda fase. Wilson dos Santos e Maria das Graças torcerão pelo Japão, mas com o coração apertado.
''Não tem como não torcer pelo filho. Mas nos outros jogos estaremos lá apoiando o Brasil. Quando vi o sorteio fiquei preocupado, mas como é o último jogo não tem problema. As duas seleções estarão classificadas'', brinca Wilson, que também foi jogador de futebol. Ele era conhecido como Wilsinho Capeta e foi o zagueiro titular do Grêmio Maringá campeão paranaense de 1977.
Os pais se orgulham em falar de Alex e guardam diversas fotos do jogador. Para eles, a oportunidade de ver um filho disputando uma Copa é única, mesmo sendo por outro país.
Desde a última Copa, Alex é o titular da lateral-esquerda japonesa e atualmente defende o Urawa Red Dimonds, campeão da Copa do Imperador de 2005. No ano passado ele recebeu diversas propostas de clubes para sair do Japão, mas preferiu renovar com o Urawa.
Carreira A carreira de Alex teve início dentro da escolinha de futebol do pai. Desde sua aposentadoria, no início da década de 80, Wilson mantém uma escolinha em Maringá. Outros atletas como o zagueiro Anderson, hoje no Benfica, foram treinados por ele.
Wilson lembra que a ida de Alex para o Japão foi um golpe de sorte. Ele tinha 16 anos, quando disputou dois amistosos pelo Grêmio Maringá e já foi levado por um olheiro para o Oriente. ''Ele treinava no juvenil do Grêmio e nem ia participar do amistoso. Foi coisa do destino mesmo. Justo naquele dia olheiros do Japão estavam lá e gostaram dele. Dos quatro meninos que foram, só ele continuou jogando'', revela.
O primeiro time de Alex no Japão foi o Shimizu S-Pulse. Os pais lembram que no início ele teve várias dificuldades de adaptação, mas hoje domina o idioma perfeitamente. Alex é ídolo no país do Sol Nascente, mas ainda um completo desconhecido no Brasil. Segundo a mãe, ele anda tranquilamente pelas ruas de Maringá durante suas férias.
Já Wilson sonha em ver o filho jogando no time de Maringá, mas o jogador, flamenguista desde a infância, gostaria de voltar ao Brasil para defender o clube carioca. ''Ele está feliz em defender a seleção japonesa, ainda mais com o Zico de técnico. É o ídolo dele'', observa.


