O Maringá vai disputar o Campeonato Paranaense de Futebol com um time modesto, que jogará com no máximo dois atacantes, procurando tocar a bola com bastante rapidez, admitiu ontem o técnico Reginaldo Lima, 34 anos. A equipe estréia na competição no próximo dia 25, contra o Coritiba, no estádio Willie Davids, que tem capacidade para 30 mil torcedores.
‘‘O importante é não ser rebaixado’’, diz Reginaldo. ‘‘Todos os nossos jogadores têm passe livre e a maioria é de Maringá mesmo. Cinco deles foram promovidos do time de juniores: Maicon, Luciano, Gil, Dan e Robertinho. Formamos um time com base em nossas condições financeiras. Não vamos contratar ninguém’’.
Os jogadores se apresentaram ontem na sede do clube para exames médicos. Amanhã, eles viajam para o município de Porto Rico, com 2.700 habitantes, a 200 quilômetros de Maringá, na beira do Rio Paraná. Vão se hospedar na pousada do Banestado. ‘‘Como é uma cidade que não tem nada para se fazer, além de trabalhar, acredito que lá poderei formar a base do time, com bastante trabalho, durante dez dias’’, disse Reginaldo.
A base do time será formada pelos jogadores mais antigos: Garça (zagueiro), Vilmar (zagueiro), Wilson Maia (goleiro), Valdo (meia), Marquinhos Astorga (meia) e Flávio (atacante). O meia Marquinhos Astorga, considerado como um dos melhores do time na temporada passada, tem 22 anos de idade. Ele tem um sonho: conseguir uma boa colocação no campeonato paranaense e disputar o Brasileiro num time de São Paulo ou do Rio de Janeiro.
O técnico Reginaldo Lima, ex-meio de campo do Guarani, Fluminense, Uberlândia, Londrina, Grêmio de Maringá e Noroeste de Bauru, criticou a tática atual utilizada pela maioria dos técnicos: ‘‘Na Copa de 70, os jogadores corriam em média por partida cerca de 3,5 km. Hoje, eles correm 8 km por partida. Ocupam todos os espaços do campo. Por isso, entrar com três atacantes é arriscado. Expõe muito o time. Então, a opção é jogar com no máximo dois atacantes e sair de sua área tocando a bola rapidamente. É uma uma tendência trazida pelo futebol europeu. O negócio então é fazer a mesma coisa mas aprimorando cada vez mais a qualidade técnica dos jogadores, já que nós somos os artistas da bola’’.
Reginaldo também criticou a própria carreira: ‘‘Como não existe intercâmbio entre os técnicos e o futebol se tornou um negócio, a cabeça do treinador que perde dois, três jogos em seguida acaba ficando à prêmio’’. Segundo ele, o treinador acaba ficando sem tempo de fazer um bom trabalho de base, com vistas ao futuro, pois o clube exige vitórias: ‘‘Para cada técnico empregado, tem mais cinco de olho na vaga dele. Cada um vive da desgraça do outro’’, disse Reginaldo.
Antes de treinar o Maringá Futebol Clube, ele foi técnico do Grêmio de Maringá, do próprio Maringá, e passou por Jalense (SP), Joaçaba (SC), Jandaia e Ponta Grossa.

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