Maringá disputa com futebol cooperativo
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 09 de janeiro de 1997
Marccio Varella Sucursal de Maringá 
Marcos NegriniO elencoJogadores e comissão técnica, os primeiros associados do Maringá na disputa do Campeonato Estadual
O representante de Maringá no Campeonato Paranaense deste ano vai entrar em campo no próximo dia 26, no Estádio do Café, para jogar contra o Londrina, com uma estrutura administrativa inédita no Brasil: o futebol cooperativo. Tudo será dividido entre jogadores e comissão técnica do Maringá Futebol Clube (MFC). O presidente Domingos Trevisan, 36 anos, jornalista, explica que o clube é completamente novo e inovador. No final de dezembro passado, o tradicional Grêmio de Esportes Maringá, campeão estadual de 77, fechou suas portas. Tinha uma dívida de US$ 1,5 milhão.
Uma fusão oficial com o Maringá Esporte Clube seria impossível com uma dívida tão alta, diz Trevisan. Foi feita então uma fusão oficiosa. Não podíamos fazer uma dissolução jurídica, porque isto implicaria também numa dissolução do ativo e do passivo do clube, e todas as dívidas teriam de ser quitadas, afirma Trevisan. Assim, o Grêmio cedeu os jogadores e as cores do uniforme (preto e branco). O escudo da camisa terá também a cor verde do MFC.
Sem dinheiro, acuado pela crise econômica, o novo clube, através de Trevisan, encontrou uma saída para a crise. Contratou (com carteira de trabalho assinada) jogadores e comissão técnica por um salário mínimo. Todos eles são sócios do clube, com cotas iguais. Para ajudar, a Prefeitura de Maringá cedeu as instalações do Estádio Willie Davis (capacidade para 20 mil torcedores). Antes, a prefeitura cobrava 10% da renda.
Toda a renda obtida com a publicidade das placas que estão espalhadas em volta do estádio pertence ao clube, que a dividirá entre jogadores, comissão técnica e administração. Em troca, o clube vai ceder à prefeitura as equipes juvenis e de juniores para representar a cidade nos Jogos da Juventude e Abertos do Paraná, realizados todos os anos nos meses de setembro e outubro.
Sessenta por cento das arrecadações serão divididas entre os jogadores. Numa eventual venda de jogador, um terço fica com ele, um terço com o clube e o outro terço será dividido entre os outros jogadores.
O clube já fez convênio com cursinhos e escolas particulares e oficiais da cidade, para que nenhum jogador trabalhe sem estudar. O clube está recebendo, gratuitamente, material esportivo da fábrica Toss, de São Paulo, e está treinando no Estádio dos Amadores, um bom campo do bairro Jardim América. Ontem de manhã, os 24 jogadores do elenco deram dez voltas na praça da Catedral de Maringá.
Aventura e elencoPara o técnico Dirceu Mendes, 43 anos, ex-lateral esquerdo do Grêmio Portoalegressense, o futebol cooperativo será uma aventura: Tudo dependerá de nós mesmos. Se conseguirmos empolgar a torcida com bons resultados, o retorno será muito bom. É uma aventura gostosa, que estamos iniciando com muita coragem e alegria.
Os jogadores estão meio ressabiados, pois nunca experimentaram trabalhar em cooperativa, mas estão bastante empolgados. O preparador físico Fábio Galvão é durão e exigente, gente boa, como dizem os atletas. O massagista Devalmar Batista da Silva, o China, já conhece a maioria, pois trabalhou com eles no Grêmio.
Dirceu estranha um pouco as modernas filosofias e estratégias do futebol moderno: Hoje em dia todos jogam sem pontas. Isso é um absurdo. Para fazer isso, tem que ter dois super-laterais. Eu vou jogar com pelo menos um ponta aberto. Tinha que ter dois. O meio de campo é muito congestionado, vale mais o preparo físico do que a habilidade e o talento. Tem muita falta.


