Zurique - Seis meses após assumir a presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o presidente da entidade, José Maria Marin, anunciou que vai reexaminar os contratos, assumidos pelo ex-mandatário Ricardo Teixeira, com patrocinadores, parceiros comerciais e ainda com detentores de direitos relacionados com a seleção brasileira.
Marin ainda aponta que está disposto a considerar novos parceiros, caso tragam propostas novas. A reportagem revelou com exclusividade que a empresa que hoje organiza os jogos da seleção, a Pitch, jamais planejou um jogo de futebol.
Três meses antes de deixar a CBF, Ricardo Teixeira assinou contrato com uma empresa saudita, a ISE, ampliando os direitos sobre a seleção até 2022. A empresa acabaria terceirizando a organização dos amistosos para a Pitch, com sede em Londres. Mas, além de jamais ter organizado um jogo, a empresa pagará à CBF 15% a menos que o contrato anterior, de 2006. Para completar, a ISE passou a ser investigada por subornos a um cartola próximo a Teixeira, o árabe Mohamed Bin Hammam.
Marin foi colocado no cargo por Ricardo Teixeira e dá a entender que está de mãos atadas em alguns casos. "Temos de cumprir um contrato", declarou. Segundo ele, o problema é que não há apenas uma multa a ser paga, mas indicou que haveria uma cláusula de perdas e danos por conta de uma eventual quebra do acordo.
Mas o cartola que herdou a CBF se diz "pronto" para receber "qualquer empresa que quiser fazer novas propostas". "A CBF está de portas abertas", declarou. Ele emendou que a empresa terá de aceitar trabalhar com a ISE e a Pitch. "Se aparecer alguém para negociar com isso, e oferecer valores melhores, maiores receitas, estamos abertos a negociar desde que haja concordância entre as partes", disse.
Phillip Huber, dono da Kentaro, é um dos que está disposto a fazer uma nova oferta. "Eu ofereço US$ 2 milhões hoje por jogos do Brasil", disse o responsável pelos amistosos desde 2006 e que teve seu contrato encerrado neste ano. Hoje, a CBF ganha US$ 1,05 milhão.
Outros contratos da Era Teixeira também serão revistos. "Pode-se dizer que vamos examinar todos para ver onde há possibilidade de aumentar a receita", disse o presidente. Um exemplo seria o contrato da Copa do Brasil. A Globo foi obrigada a pagar o dobro para transmitir os jogos, depois de uma renegociação. Marco Polo Del Nero, vice-presidente da CBF, evitou falar em valores.
Del Nero ainda contestou a informação de que a seleção teria congelado sua receita com amistosos até 2022. Segundo ele, os jogos no Recife contra a China e, em São Paulo, contra a África do Sul deixaram um rombo nas contas da ISE. A CBF, segundo ele, ainda assim ganhou o que, segundo Del Nero, seria uma prova de que os acordos podem ser favoráveis.

mockup