Marin indica que não fará delação premiada nos EUA
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quinta-feira, 05 de novembro de 2015
Jamil Chade e Thiago Mattos<br>Agência Estado 
Nova York - José Maria Marin tem dados sinais claros de que não fechará acordo delação premiada com a Justiça dos Estados Unidos. Em prisão domiciliar desde a última terça-feira, o ex-presidente da CBF indica que irá concentrar-se apenas em sua defesa. E pessoas próximas ao processo asseguram que a fiança de US$ 15 milhões (R$ 56,9 milhões) virá de forma integral do patrimônio do ex-cartola, de 83 anos.
Depois de cinco meses em uma prisão de Zurique, Marin dormiu na noite de terça para quarta-feira pela primeira vez em sua cama, em um apartamento avaliado em US$ 3,5 milhões na Quinta Avenida. Ao chegar a Nova York, foi levado a uma corte e fechou acordo para acompanhar o processo em liberdade condicional. Mas o juiz estabeleceu o valor da garantia em US$ 15 milhões, acima do que estava previsto.
A família de Marin foi obrigada a depositar em uma conta da Justiça norte-americana US$ 1 milhão e seu apartamento foi confiscado. Além disso, uma garantia de mais de US$ 11 milhões foi estabelecida, o que foi acertado por meio de carta-seguro de um banco. O dinheiro viria do patrimônio do cartola, acumulado em anos no comando da CBF, como deputado e governador.
Um dos principais interesses do FBI é que Marin colabore com a investigação, dando detalhes sobre como ocorreu a negociação das propinas e quem mais esteve envolvido. Segundo a Justiça da Suíça, ele "compartilhou" subornos com outros dirigentes e, no inquérito dos norte-americanos, os nomes de Marco Polo Del Nero e de Ricardo Teixeira estão entre os suspeitos. Marin optou por enquanto por não fazer uma delação. O FBI espera que ele mude de posição durante o julgamento.
Segundo advogados de defesa, o julgamento deve levar um ano e meio. Neste período, Marin ficará com uma tornozeleira. Todas as saídas terão de ser notificadas à corte, inclusive as que são autorizadas, como ida ao advogado, médicos e até à Igreja. Ele também terá a autorização para comprar comida, se pedir. Marin poderá manter contato com familiares. Mas jamais com o mundo do futebol. Contatos com Del Nero, Teixeira, pessoas da Fifa ou qualquer empresário estarão proibidos.
ESPOSA
Durante o julgamento, Marin viverá com a esposa, Neusa. Ambos entregaram seus passaportes à Justiça e nem sua mulher poderá deixar os Estados Unidos. Nesta quarta-feira, o ex-cartola não escondia a alegria por voltar a dormir em uma cama. Segundo pessoas próximas, Marin não conseguiu dormir nas últimas três noites.
Marin vai permanecer por algumas semanas em "quarentena". Não sairá e tentará relaxar. Seus advogados indicam que vai se dedicar à leitura e à preparação de sua defesa. No dia 16 de dezembro, ele volta ao tribunal para uma audiência.


