São Paulo - O ex-presidente da CBF José Maria Marin se declarou inocente em um tribunal dos Estados Unidos nesta terça-feira, cinco meses depois de ter sido preso sob acusações de corrupção em um escândalo na Fifa. Marin compareceu a um tribunal federal no Brooklyn, em Nova York, após ser extraditado da Suíça para os Estados Unidos. Em audiência nesta terça, o juiz Raymond Dearie determinou fiança de 15 milhões de dólares (R$ 57 mi) e prisão domiciliar com monitoramento eletrônico.
Marin, de 83 anos, é um dos sete dirigentes ligados à Fifa que foram presos em maio em um hotel de Zurique, após serem indiciados pelos EUA por acusações de corrupção.
Ele foi extraditado para os Estados Unidos nesta terça. Seu voo chegou a Nova York por volta das 16 horas (de Brasília). A princípio, a audiência com o juiz seria apenas nesta quarta-feira, mas foi antecipada para esta terça e pegou até a esposa de Marin de surpresa: Neusa chegou à corte de taxi, quando a sessão já havia começado. Em um determinado momento, Raymond Dearie chegou a perguntar se o dirigente estava se sentindo bem. No final, Marin mostrou-se emocionado ao abraçar a mulher.
A expectativa era que o ex-presidente da CBF passasse a noite em seu apartamento na Trump Tower, um dos prédios mais famosos e badalados de Manhattan, localizado na Quinta Avenida.

ACUSAÇÃO

Promotores norte-americanos acusam Marin de receber "milhões de dólares de propina" de um esquema ligado a desvios de dinheiro de vendas de direitos de transmissão de torneios da Copa América de 2015, 2016, 2019 e 2023, além da Copa do Brasil entre 2013 e 2022.
Por enquanto, ele não tem obrigações de delatar ninguém. Mas a Justiça norte-americana garante que voltará a colocar o assunto sobre a mesa. Um dos focos da investigação é traçar o envolvimento do empresário Kleber Leite, do atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, e do ex-mandatário da entidade, Ricardo Teixeira.
Aos advogados suíços, Marin não conseguiu negar que os fatos apontados no indiciamento são falsos. Em um primeiro encontro ainda na prisão no início de junho, o brasileiro se dizia inconformado com as acusações e o fato de estar preso. Mas, na reunião seguinte e ao ser confrontado com o ato de acusação, mudou radicalmente de tom. Sua frustração teria sido com o comportamento de José Hawilla, o empresário que o gravou em uma conversa pedindo propinas para a Copa do Brasil.
Seus advogados nos Estados Unidos optaram por sair em busca de um acordo, no mesmo padrão que vingou para Jeff Webb, o ex-vice-presidente da Fifa. O cartola entregou relógios de luxo, propriedades, carros e até o anel de noivado de sua esposa. Mas o acordo esbarrava em outro problema: quem pagaria a fiança. O ex-dirigente indicou que não estaria disposto a arcar sozinho com a conta.
O escândalo levou à renúncia do presidente da Fifa, Joseph Blatter, no dia 2 de junho e à convocação de novas eleições na entidade em fevereiro de 2016. Suspeito de envolvimento na investigação conduzida pelos americanos, Marco Polo del Nero tem evitado deixar o Brasil, temendo ser alvo de um pedido de prisão no exterior.

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