Zurique, Suíça - O novo presidente da CBF, José Maria Marin, declara que seu grande objetivo em 2014 não é nem os estádios, nem aeroporto e nem hotéis. Para ele, a grande obra é a construção de uma seleção que vença o Mundial. Marin, em meio a uma crise entre o Brasil e a Fifa, participou ontem de sua primeira reunião na Fifa. Mas, nem bem saiu da sede da organização e deixou claro sua prioridade: a seleção brasileira.
''Claro que estádios são importantes. Mas são obras para a Fifa e para o governo. O que importa para nós é a formação de uma seleção. Essa é a obra mais importante para a Copa no Brasil'', declarou. ''Essa é a minha prioridade e de todo o brasileiro'', insistiu.
Nos últimos meses, o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, tem alertado que o Brasil está mais interessado em ganhar o Mundial que em organizá-lo. Joseph Blatter, presidente da Fifa, também já usou isso como argumento para destacar que a crise no Brasil está relacionada à atenção que se dá ao título, e não às obras.
Marin não hesita em deixar isso explícito. ''Não dá para ter estádio e não ter equipe'', declarou, lembrando da ''tragédia'' que foi a Copa de 1950 no Brasil e a derrota da seleção na final.
Há dois dias, o novo presidente da entidade já havia dito que um dos motivos que levou ele a adiar a Copa América de 2015 no Brasil para 2016 era para preservar a seleção. Sua ideia é de que uma eventual derrota no Mundial de 2014 criaria um mal-estar para a seleção em 2015, entrando em campo sob vaias.
Mano
O presidente da CBF confirmou seu ''apoio total'' ao trabalho de Mano Menezes, indicando que a opção de Ricardo Teixeira para o comando da seleção seria mantida, pelo menos por enquanto. Questionado pelo Estado se Mano corria risco de perder seu cargo, Marin apenas exclamou. ''Não sou louco''.
Segundo ele, os testes que Mano está realizando com jogadores nos últimos dois anos ''se justificam'' e uma reunião para tratar do futuro da seleção será organizada na semana que vem no Brasil. ''Ele está buscando uma base para a seleção. Mano tem minha confiança total'', declarou.
Marin não quer dar prazos para a formação de uma seleção e nem para o técnico Mano Menezes. ''O futebol não é uma ciência exata. No futebol, prazos não funcionam'', disse. Mas insiste que os Jogos Olímpicos serão fundamentais. ''Londres será um teste para todos. Os Jogos Olímpicos servirão para fazer uma avaliação de jogadores e de todos'', disse.
Questionada, a seleção brasileira ainda não convenceu e, faltando dois anos para a Copa do Mundo e apenas um para a Copa das Confederações, especialistas europeus e ex-jogadores já apontam para as dificuldades que a seleção terá para vencer um Mundial em sua casa.
Arbitragem
Marin ainda anunciou novidades para o Campeonato Brasileiro. Na edição deste ano, o presidente da CBF irá copiar o formato do campeonato paulista e da Liga dos Campeões da Europa e introduzirá dois árbitros extras em cada jogo.
Os assistentes serão colocados na linha de fundo, auxiliando o árbitro principal a verificar se a bola cruzou a linha do gol e situações de ameaças de penalti. Na Europa, essa é a aposta da Uefa para reduzir a polêmica nas partidas e também atrasar a implementação da tecnologia no futebol, um elemento que o presidente da entidade, Michel Platini, já declarou ser contrário.

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