Londres - Marilson Gomes dos Santos já é reconhecido como um dos maiores maratonistas da atualidade. Único não-queniano a aparecer entre os 25 melhores do mundo no ano passado, o brasileiro sabe que terá uma missão ingrata para buscar uma medalha em sua última Olimpíada. Mas, diante de um percurso difícil e da imprevisibilidade da prova de 42.195 metros, o fundista de 35 anos busca uma despedida honrosa neste domingo, às 7h (de Brasília).
''A cada ano a maratona se torna uma prova mais difícil, e não só na Olimpíada. O domínio dos africanos, com quenianos e etíopes, é muito grande. Mas já vimos em outras ocasiões que, nesta prova, pode acontecer de tudo. Já vimos recordista mundial, campeão mundial parando'', afirmou o brasileiro.
Na prova, Marilson, que participou dos Jogos de Pequim mas não conseguiu terminar a prova, terá a companhia de Franck Caldeira (que também não finalizou o percurso há quatro anos) e de Paulo Roberto de Almeida. ''Vou tentar agarrar essa última oportunidade. Garra e determinação não vão faltar, mas é lógico que isso terá de funcionar dentro de fatores físicos, psicológicos, de tempo e de hidratação.''
Pela primeira vez na história, a tradicional chegada da maratona masculina, no último dia dos Jogos, não será no Estádio Olímpico. Assim como ocorreu na prova das mulheres, o percurso foi feito para ''vender'' Londres. Assim, os mais de 42 km de prova serão realizados no centro da cidade, passando por pontos de destaque como o Palácio de Buckingham e a Catedral de St. Paul.
Marilson, que já correu várias vezes a maratona de Londres (foi, inclusive, onde fez a melhor marca de sua vida, 2h06min34, em 2011), afirmou que conhecer a cidade ajuda. Mas não será decisivo. ''O percurso, embora plano, é dificultoso. São quatro voltas, com mais de 90 curvas, o que é muito.''
O nível da prova será tão forte que o Quênia precisou fazer uma seletiva nacional para escolher seus três representantes - a ponto de terem deixado de fora Patrick Makau, o atual recordista mundial (2h03min38) da prova. Campeão olímpico em 2008, Samuel Wanjiru morreu em circunstâncias não esclarecidas, após um acidente doméstico, em 2011. Representam o país, portanto, Emmanuel Kipsang (dono do segundo melhor tempo da história, 2h03min42), Abel Kirui (bicampeão mundial) e Wilson Kipsang.

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