São Paulo - O receio de mais uma vitória queniana na prova masculina da 81 Corrida Internacional de São Silvestre não durou muito mais do que meia hora. O brasiliense Marilson Gomes dos Santos, de 28 anos, foi só tranquilidade diante do favoritismo de Robert Cheruiyot e conquistou, fácil, seu segundo título na prova paulistana em três anos, com o tempo de 44min21. Com a vitória, Marilson colocou o Brasil e Quênia em igualdade no número de títulos: cada país, agora, venceu nove vezes.
Como já havia ganho em 2003, Marilson entrou para a seleta galeria de brasileiros bicampeões da prova, que também tem os nomes de Sebastião Monteiro (em 1945 e 1946) e José João da Silva (1980 e 1985). ''Quando eu ganhei da outra vez, senti uma emoção única. Queria senti-la mais uma vez'', disse o campeão.
O queniano Robert Cheruiyot, campeão da edição passada, ultrapassou a linha de chegada, em frente à Fundação Cásper Líbero, na Avenida Paulista, quase um minuto depois de Marilson. Sua marca foi 45min17. Completaram o pódio Patrick Ivuit (45min30), também do Quênia, o brasileiro Rômulo Wagner da Silva (45min32) e o etíope Nigusse Ketema (45min36). Medalhista olímpico na maratona da Olimpíada de Atenas, o paranaense Vanderlei Cordeiro de Lima, que definiu sua presença apenas 15 dias antes da prova, chegou na 14 posição.
Como acontece todos os anos, um grande número de atletas iniciou a corrida no primeiro pelotão. Na metade da prova, porém, Marilson e Cheruiyot já se destacavam do bloco, acompanhados por José Telles de Souza, campeão da Maratona Internacional de São Paulo deste ano.
Faltando quatro quilômetros para o fim da prova, Marilson tomou a frente. Na altura do Largo São Francisco, abriu 100 metros de vantagem sobre o queniano. No início da subida da Avenida Brigadeiro Luís Antônio, recusou água e seguiu firme para a vitória.
Agora, Marilson quer apenas descansar. Com um belo retrospecto neste ano - venceu todas as últimas seis provas que disputou -, passou um mês treinando em Campos do Jordão, no interior de São Paulo. ''Os últimos dias foram muito difíceis, com muita pressão.''
Humilde, sequer pensa no inédito tricampeonato de um brasileiro na São Silvestre, que poderá conquistar em 2006. Faz, apenas, um alerta. ''Os quenianos sempre são apontados como os melhores, mas o resultado de hoje mostra que deveriam olhar mais para nós.''

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