São Paulo - Mariana Brochado, 19 anos, 1,74 m e 63 quilos é daquele tipo persistente. Tanto que do seu grupo, quando era infantil e juvenil, sobrou ela e um amigo. ''Para não 'perder' a adolescência, por falta de patrocínio, o resultado que não vem... são vários os fatores que levam os nadadores a desistir.'' Mas Mariana acha que a persistência foi recompensada com a classificação para a Olimpíada de Atenas nos 200 m, livre é recordista brasileira e sul-americana da prova (2min01s17).
''Hoje, me sinto recompensada pelo esforço. Faria tudo de novo para ir à Olimpíada.'' Em São Paulo, Mariana nadou ontem as eliminatórias de sua prova, os 100 metros livre, no Troféu Delamare, torneio júnior (17 a 19 anos), no Pinheiros. Fora da categoria (é sênior) nadará apenas as eliminatórias, como parte de sua preparação à Olimpíada. ''Seria ruim ficar muito tempo sem competir.'' Morena bonita chama a atenção no grupo. Já se habituou a ser chamada de musa, ''agradece'', mas quer ser notada como atleta. A ''musa do Pan'' de Santo Domingo, em 2003, prefere as referências das medalhas que ganhou, de prata (4 x 200 m, livre) e de bronze (200 m, livre).
O grupo feminino que vai aos Jogos Olímpicos sextuplicou desde Atlanta (1996) e Sydney (2000), quando o Brasil teve uma única representante Gabriele Rose e Fabíola Molina, sem índice, respectivamente. Embora a natação selecione atletas de alto nível dentre os talentosos, persistentes, que tem resultados e ajuda financeira, o naipe feminino cresceu. ''Seremos seis mulheres em Atenas'', observa Mariana que estará com Joanna Maranhão, Rebecca Gusmão, Paula Baracchio, Monique Ferreira e Flávia Delaroli.
A nadadora, que é carioca, treina no Flamengo com o técnico Marco Lamah, e tem patrocínios (Ceg, Oi, Pratique Leite e Speedo), uma situação estável que lhe permite seguir competindo.
Mariana participou do Evento-Teste do Parque Olímpico de Atenas, este mês, e gostou da piscina, que é descoberta. ''O sol é forte, é quente e o clima é seco - haja hidratante.'' Mas disse que os gregos trataram os brasileiros com carinho, cobiçando, inclusive, os sunquinis e as Havaianas coloridas. Na Olimpíada, Mariana tem o objetivo de fazer sua prova em 2 minutos e ficar entre as 16 do mundo, indo à semifinal. ''Fui 12. no Mundial de Barcelona e isso é muito bom. Eu sei o quanto vale.''
Borges Sem esperança de conquistar uma medalha em Atenas, o nadador Gustavo Borges parte para sua quarta Olimpíada com um novo objetivo: ser o porta-bandeira da delegação brasileira na cerimônia de abertura. ''Atenas será minha última Olimpíada. Não participarei de uma outra cerimônia de abertura. Em Atenas, quando sair da piscina, minha carreira estará encerrada'', admitiu o nadador, que, depois dos Jogos, pretende dedicar-se mais à família.

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