Marcos Senna gosta de ser o favorito na Copa
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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Amanda Romanelli<br> Agência Estado 
São Paulo - Há pouco menos de quatro anos, quando o técnico Luís Aragonés escolheu os 22 jogadores que iriam ao Mundial da Alemanha, um convocado da equipe espanhola foi particularmente notado no Brasil: ex-jogador de Corinthians e São Caetano, Marcos Senna disputaria a Copa sob as cores da Fúria. Apenas cinco convocações carimbaram o passaporte do volante àquela competição - tanto que o fato de ser considerado uma surpresa não era motivo de incômodo.
Às vésperas de seu segundo Mundial, o jogador do Villarreal compartilhou mudanças significativas da equipe. Aragonés saiu, entrou Vicente Del Bosque, mas ele continuou. Não só foi campeão da Eurocopa de 2008 como também acabou escolhido para a seleção do torneio. Nada mal para quem saiu do periférico Jardim Rincão, na zona oeste de São Paulo, para conquistar a Espanha.
Os feitos da seleção que hoje ocupa o topo do ranking da Fifa (o Brasil é o segundo) e se classificou com 100% de aproveitamento para a Copa da África do Sul, no ano que vem, não assustam o jogador de 33 anos. Pelo contrário. ''Gosto de chegar às competições sempre como favorito''.
O que não quer dizer que o favoritismo espanhol seja motivo para o típico ''já ganhou''. ''Até porque isso é muito perigoso. Temos um exemplo recente. Na Copa das Confederações, todos achavam que a Espanha iria fazer a final com o Brasil. Mas fomos eliminados pelos Estados Unidos''.
Senna concorda que o grupo da Espanha, com Suíça, Chile e Honduras, é o mais ''acessível'' da Copa. ''Mas isso é teoria, e futebol tem de ser jogado na prática''.
O volante analisa a chave (G) brasileira - que cruzará com a espanhola (H) - e aposta que a Costa do Marfim deve passar às oitavas como a segunda melhor. ''Apesar de o Brasil enfrentar os adversários mais complicados, acho que vai se classificar em primeiro''.
Mas não pensa em um duelo entre suas duas pátrias. ''Se fosse pensar nisso agora, ficaria uns cinco meses sem dormir'', brincou. A naturalização é vista como algo comum. Mais do que isso: um privilégio. ''Sou muito respeitado, não só na seleção, mas no país. Quando entro em campo, sinto as cores da nação. Mas tenho o privilégio de pertencer a dois países''.
Volta em dois anos
O futuro, porém, está no Brasil. Com mais dois anos de contrato, Senna pensa em encerrar a carreira na Europa e voltar à pátria-mãe definitivamente. Quer construir a sede da Fundação Marcos Senna, que atualmente apoia projetos de inclusão social - um deles, em parceria com a Prefeitura de Castellón, que pretende ajudar na integração entre comunidades brancas, negras e mestiças na Cidade do Cabo, África do Sul. Claro, por meio do futebol.


